The Darkness – 2016

The Darkness é um dos piores filmes lançados no circuito em 2016. E não falo isso olhando apenas de seu gênero. Com uma péssima edição e com atuações fracas que embolam ainda mais o fraco roteiro, o diretor Greg McLean sabia do péssimo produto que tinha em mãos e tentou orquestrar junto da Universal um plano de contenção, para conseguir uma arrecadação satisfatória: com um trailer que explora a imagem de Kevin Bacon, cita outros sucessos deste milênio e abre a porta para um cliffhanger (teoricamente solucionado no filme), o marketing tratou de vender a ideia de que o filme seria uma das grandes promessas deste ano – tanto é que publicações especializadas como a EW morderam a isca sem o mínimo senso crítico. Mera ilusão.

Peter (Kevin Bacon) e Bronny (Radha Mitchell) passam por problemas no casamento. Para piorar, seus filhos, Michael (David Mazouz) e Stephanie (Lucy Fry) começam a apresentar estranhos comportamentos após o retorno da viagem ao Grand Canyon: enquanto o garoto altista parece perdido em um fantástico sonho, a moça escancara seus problemas emocionais ao deixar claro para seus parentes desvios alimentares.

Existe uma tentativa – muito mal feita, por sinal – de querer tornar o roteiro fechado a partir de considerações de personagens de fora da história. O caso misterioso do garoto que possivelmente foi tomado por espíritos do lado negro, por exemplo, é transmitido ao espectador como notório por conta da existência de pessoas especializadas na solução de fenômenos sobrenaturais (e isso tudo chega aos ouvidos de Peter graças ao seu chefe!).

O grande problema está na excessiva perda de tempo com problemas familiares, que não são abordados de maneira satisfatória. Os efeitos visuais são péssimos, a trilha sonora não faz seu papel de gerar tensão e o filme saiu da sala de edição retalhado, com graves erros de continuidade graças aos cortes abruptos, em uma clara demonstração de desespero para chegar ao mágico número de 90 minutos de duração. O uso de tradicionais clichês do gênero em nada ajuda, com a clara necessidade demonstrada pelo diretor de se amparar em situações ultrapassadas para tentar retomar o controle total da narrativa, que toma formato cíclico a partir de seu vigésimo minuto.

O fracasso absoluto de The Darknessé mais um capítulo para a análise do ‘efeito trailer’. Como já escrevi nos últimos anos, cada dia que passa as produtoras contam mais da história e tentam fazer pequenos filmes de três minutos para convencer as pessoas de que determinada produção merece sua atenção e merece o valor do ingresso cobrado. Neste caso, McLean e a Universal venderam essa esperança vã de um projeto sólido. cujo resultado é ruim em todos os sentidos.

NOTA: 2/10

IMDb

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