Cinderella (Cinderela) – 2015

Quando a Disney anunciou que iria levar Cinderela as telas do cinema, boa parte dos fãs perguntavam se a adaptação de uma das histórias mais famosas dos estúdios de Walt (e certamente a que tornou famosa este conto europeu do século XVII) iria tomar liberdades e expandir pontos da história, assim como feito em Maleficent. Para minha decepção, a produção dirigida por Kenneth Branagh é completamente embaraçosa e, apesar de alguns boas cenas, falha ao construir momentum.

Parte do fracasso deve ser atribuído a Chris Weitz, que atuou como roteirista. Apesar de ser uma figura conhecida em Hollywood, seu único trabalho de destaque foi About a Boy, pelo qual foi nomeado ao Oscar. Nota-se que ele decidiu optar por uma postura extremamente rígida e conservadora, adicionando muito pouco a experiência da animação de 1950. Obviamente este ponto poderia ser alvo de discórdia caso Weitz optasse por alterar a estrutura narrativa do conto, mas não tenho nenhuma dúvida de que o elenco seria melhor aproveitado com alguns ajustes.

A primeira hora do longa, por exemplo, mostra como Cinderela (Lily James) relaciona-se com sua madrasta (Cate Blanchett) e suas duas novas irmãs. O problema é que a excessiva bondade da protagonista torna-se insuportável devido a repetição de tomadas que visam mostrar seu drama pessoal (ela deixa de ser a filha querida do papai para virar uma empregada). A diferença é que a animação mostra tudo isto de forma rápida e categórica. Você não precisa tomar vinte minutos de algo que pode ser contado com propriedade em cinco ou seis. O tempo poderia ser usado para analisar, por exemplo, os pensamentos cotidianos da personagem principal ou mesmo explorar o reino do qual era se tornaria Rainha. Não alteraria a história principal e, com certeza, criaria cenas mais bonitas e com maior significado. Mostrar as caras e bocas de Blanchett a cada três minutos, ao invés de servir como ferramenta para sustentar o roteiro, virou algo bastante incômodo.

O uso de uma voz para narrar se justifica na medida em que a proposta passada para o espectador é a mesma do que a apresentada na animação. É ela que nos guia e atua como os intertítulos do cinema antigo. Apesar de seus defeitos, Cinderela é bom o suficiente para encantar uma nova geração de crianças e entreter os adultos que já estão familiarizados com a história.

NOTA: 6/10

IMDb

FROZEN FEVER: antes da exibição do longa, a Disney rodou o curta Frozen Fever. Quem gostou da animação mais rentável da história da Disney não pode deixar de acompanhar os oito minutos de pura diversão entre Anna e Elsa. A história teria tudo para ser exibida depois dos créditos finais de Frozen, já que é pura alegria. Nem mesmo a gripe de Elsa atrapalha a festa de aniversário organizada para sua irmã, já que cada espirro da Rainha é acompanhado de floquinhos de neve que ganham vida e tornam-se tão simpáticos quanto Olaf. A música escolhida deixa o caminho aberto para a sequência, que já está em produção, e é boa o suficiente para matar as saudades de todos os personagens. As poucas piadas não são muito efetivas, mas não comprometem nem um pouco os oito bons minutos de Fever. NOTA: 7/10. IMDb

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