First Reformed – 2018

Todo ano temos um filme cujo lançamento infelizmente parece deslocado da tendência do mercado. Só a A24 sabe, de fato, a estratégia que acabou posicionando First Reformed, novo filme de Paul Schrader, para maio de 2018. Com isso, o filme praticamente perdeu qualquer possibilidade de concorrer aos prêmios da temporada, teve sua visibilidade reduzida e não alcançou resultado de bilheteria satisfatório – ao menos para fazer jus a qualidade da atuação de seu protagonista.

Toller (Ethan Hawke) é padre em uma igreja do estado de Nova Iorque. Apesar de sua relação com a Igreja estar estremecida – muito pelo contexto político local – ele definitivamente é testado quando Mary (Amanda Seyfried) pede para conversar com o padre e conta que seu marido, Michael (Philip Ettinger), quer abortar o filho que o casal espera por acreditar que o mundo vai acabar em breve.

Lembro-me que quando assisti ao filme, em seu lançamento, fiz uma comparação direta com o cinema proposto pelo grande Ingmar Bergman.
Schrader tem uma longa carreira no cinema e um estilo próprio, é claro, mas ele conduz o personagem de Hawke a ponto deste questionar tudo o que envolve, desde suas relações cotidianas até sua própria relação com Deus – envolvendo culpa, desejo e morte.

De forma secundária, o roteiro é forte e afiado o suficiente para tratar de alguns temas de grande importância no mundo contemporâneo, como o lobby que envolve a religião e a radicalização. O trabalho técnico do filme – com destaque para a fotografia – capta a tensão no rosto do personagem interpretado por Hawke, visivelmente perdido em meio a tantas provocações e dúvidas.

Indicado ao Oscar de melhor roteiro, First Reformed é extremamente interessante do ponto de vista criativo, com um extraordinário desenvolvimento da história. Se é verdade que o final deixa mais questões em aberto do que responde o que foi proposto e avançado, também temos de reconhecer que a montanha russa de sentimentos provocados pelo diretor e roteirista é sólida.

NOTA: 7/10

IMDb

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