High-Rise – 2015

Ben Wheatley e sua mulher, Amy Jump, foram os responsáveis pela adaptação cinematográfica de um dos livros mais icônicos do período chamado de ‘New Wave’ da ficção científica. Lançado em 1975 por J. G. Ballard, durante quatro décadas os produtores britânicos buscaram comprar os direitos de reprodução de High-Rise para as telas do cinema. Após tanta espera, o produto final, no entanto, une o ótimo elenco à péssima estruturação típica dos filmes de Wheatley, que busca desesperadamente mostrar seu potencial a partir de reproduções de tomadas bizarras que destoam totalmente da obra original.

Robert Laing (Tom Hiddleston) prepara-se para mais uma refeição em seu apartamento. O cardápio do dia é perna de cachorro, bem passada. Para entender o fato desta opção um tanto quanto estranha, tomamos conhecimento do conjunto residencial criado por Anthony Royal (Jeremy Irons), que contém tudo o que um homem quer para que ele evite sair e correr riscos desnecessários na rua. A proposta é analisar os três meses iniciais de Laing no local para perceber como sua vida muda completamente após o contato com caricatas figuras como Charlotte Melville (Sienna Miller), assistente de Royal e Wilder (Luke Evans), um homem que deixa clara suas posições e luta por sua estabilidade (física, financeira e emocional).

A obra original de Ballard deixa aberta várias possibilidades de análise: estratificações sociais, castas e personalidades construídas a partir da interação com o meio são apenas alguns dos exemplos que podem explicar o sucesso impactante do livro. Wheatley não propõe nada disso em seu filme. Nem mesmo o elevador, que simboliza as várias camadas do complexo de moradias, serve como elemento chave na história, já que seu uso é apenas alegórico para deixar claro a divisão simplista entre ricos e pobres (vista também nas forçadas cenas de falta de energia elétrica e nos jantares aristocráticos). A visão caleidoscópica – empregada no próprio roteiro como montagem factual ao ser apresentado pelos olhos de uma criança – não convence por um minuto sequer.

A preocupação do filme é apenas causar impacto, e para isso o diretor reveza pequenos blocos de cenas violentas com interlocuções de sexo e brigas que destoam da versão original da luta entre as classes. Wheatley contorna o final da história com o mesmo molde do péssimo Kill List. Só que desta vez, além de fazer seu público de bobo ele também faz questão de jogar todo o trabalho de Ballard no lixo, entregando uma adaptação desinteressada, sem nexo e sem brilho próprio.

NOTA: 4/10
IMDb

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