Le charme discret de la bourgeoisie (O Discreto Charme da Burguesia) – 1972

Um grupo de amigos de classe média-alta tenta jantar. O problema é que eles sempre são interrompidos por eventos estranhos. Um belo diálogo entre o real e o imaginário, Le charme discret de la bourgeoisie (O Discreto Charme da Burguesia, no Brasil) conquistou a Academia e recebeu o Oscar de melhor película estrangeira em 1973.

Para Luis Buñuel, os jantares são a forma em que a tal burguesia pode escancarar seu status e luxo. A hipocrisia do grupo fica muito clara ao analisarmos os protagonistas, envoltos em um milionário esquema de tráfico de drogas orquestrado por um diplomata. Bruñuel dá sequência a seu estilo surrealista, desta vez colocando mais pimenta e batendo de frente com os valores propagados pela elite. Até mesmo um bispo parece se corromper ao luxo e a vida boa oferecida pelo grupo de amigos.

É muito difícil para o espectador diferenciar o sonho da realidade no primeiro momento. Acredito que somente após assistir pela segunda vez o filme o público consiga aproveitar esta obra, já que o diretor preparou várias surpresas ao longo dos 100 minutos de exibição. O que mais chamou a atenção foi a maneira com que alguns pecados capitais foram abordados (sempre analisando através da burguesia, é claro). No caso da luxúria, um casal foge de casa e vai para a mata fazer amor pelo fato de não querer que seus convidados ouçam os barulhos da cama. A gula é brilhantemente exposta em uma cena onde todos os integrantes do grupo morrem assassinados por um esquadrão, exceto um senhor que busca abrigo debaixo da mesa para continuar comendo. Estes pequenos detalhes tornaram o andamento do filme muito agradável e dá uma ponta de humor.

O final, como de praxe, é aberto e pode ser interpretado de diferentes maneiras. Bruñuel dizia que não fazia filmes para o público, mas sim para seus amigos. Segundo ele, seu prazer era observar as diferentes teorias que ele ouvia de cada um de seus parceiros durante as rodas de vinho nos alpes franceses. Arrisco-me a dizer que hoje todos nós fãs de cinema fazemos parte desta família de Bruñuel. Buscamos explicação para o irracional e queremos dar significado a tudo o que vemos diante de nossos olhos.

 NOTA: 8/10

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