The Favourite (A Favorita) – 2018

Dez indicações ao Oscar; ampla distribuição; aclamação mundial. Finalmente Yorgos Lanthimos tem o reconhecimento que merece! The Favourite (A Favorita, no Brasil) é o melhor filme do realizador grego e uma verdadeira aula. Com apurado domínio de técnicas e ideias, o longa ainda conta com três atuações de altíssimo nível e um roteiro rico e extremamente aberto para análise semiótica.

1708. A Guerra da Sucessão Espanhola coloca a Grã-Bretanha em conflito com a França. No trono britânico, a Rainha Ana (Olivia Colman) é uma monarca disfuncional, com pouco interesse nos problemas reais e foco voltado para atividades “pouco comuns”. Com isso, Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) usa sua influência para ditar os rumos da nação. Mas esta posição de conforto da Duquesa começa a ser questionada com a chegada de Abigail Masham (Emma Stone), prima de Sarah que pede emprego na corte.

Como grande fã de Lanthimos, noto uma clara evolução no modo de pensar e fazer cinema desde Dogtooth. Uma década depois, o grego explora de forma mais natural a estética e a sonoridade dos seus filmes, fazendo destas construções fundamentais para a construção de uma trama extremamente sólida e engajada em um roteiro polido ao máximo.

É interessante notar que Lanthimos busca uma aproximação com a história em todos os seus filmes, e em The Favourite ele encontra um espaço natural para adaptar um contexto de intriga com seu toque pessoal de discórdia, elemento de destaque em sua filmografia até aqui.

É muito difícil ver três atuações destacadas em um filme – mas The Favourite entrega justamente isso. Olivia Colman é a base de sustentação para que as personagens de Weisz e Stone possam brilhar. Na metade inicial – seguindo a proposta da história – Weisz tem um papel fundamental para o cercamento em torno da rotina; já na parte final, Stone ganha muito mais tempo de tela e torna-se fundamental para dar força e credibilidade ao gran finale.

Falei um pouco sobre a composição simbólica. Assisti duas vezes ao filme (screener que recebi em novembro e cinema, em janeiro) – e as duas experiências foram bem diferentes. Na primeira vez, prestei atenção no desenvolvimento da proposta narrativa e na construção dos personagens; no cinema, consegui captar variados tributos – especialmente ao clássico Barry Lyndon, ainda que exista uma clara tentativa imposição autoral do diretor em determinadas cenas, deixando sua marca para evitar justamente a comparação direta com Kubrick.

Um dos grandes filmes de 2018, The Favourite conta com um espetacular trabalho técnico: trilha e composição sonora de elevada qualidade, fotografia exuberante de Robbie Ryan (com ousadas captações fish-eye) e a melhor direção de arte que vi nos últimos anos. Recomendo fortemente a apreciação no cinema.

NOTA: 9/10

IMDb

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A Favorita
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