Sicario: Day of the Soldado (Sicário: Dia do Soldado)- 2018

Era compreensível a desconfiança que pairava em torno da produção de Sicario: Day of the Soldado (Sicário: Dia do Soldado, no Brasil). Após o tremendo sucesso do primeiro filme, muitos entendiam que o estabelecimento de uma franquia não conseguiria manter o alto nível da narrativa por conta da ausência de peças-chave, como o diretor Denis Villeneuve e a atriz Emily Blunt. Seria óbvio, neste caso, que o filme buscasse apoio e sustentação dentro de uma zona de conforto.

Mas ainda bem que o italiano Stefano Sollima teve liberdade criativa para construir um filme rico junto do roteirista Taylor Sheridan. Sim, os pontos de convergência narrativa com o primeiro longa são fortes – mas a independência estrutural é extremamente bem-sucedida.

Matt Graver (Josh Brolin) é convocado pelo governo estadunidense para comandar um programa oculto para enfrentar um cartel mexicano que se especializava no cruzamento de ilegais na fronteira. Tal medida era justificada pelo poder executivo através de ataques terroristas que ocorreram em solo estadunidense por árabes que usaram o sistema mexicano. Para a missão, Alejandro (Benicio Del Toro) é convocado – mas as coisas começam a tomar rumo diferente do esperado após o grupo de Graver matar policiais mexicanos ligados ao cartel justamente no México – o que revolta a opinião pública.

Mais uma vez, é mérito de Sicario mediar a discussão sobre a imigração ilegal e as polêmicas na fronteira dos Estados Unidos com o México – em período de extremismo político e pautas divergentes nos partidos Democrata e Republicano. Cabe ressaltar, no entanto, que em nenhum momento o longa propõe replicar uma dramatização das políticas da administração Trump – o que eleva o nível do debate.

Se os conflitos morais da personagem de Blunt foram essenciais para o primeiro longa, em Day of the Soldado temos uma divisão entre o questionamento aberto dos métodos utilizados por Graver dentro da ideia de defesa da Segurança Nacional – muito bem argumentada pelos exemplos de Alejandro e pela mediação do governo a partir de Cynthia (Catherine Keener) para evitar grandes constrangimentos.

O bom resultado de bilheteria deste filme provavelmente deixa o caminho pronto para um novo filme. Existe interesse – e já está comprovado que, dada a ausência de Blunt, os personagens de Brolin e Del Toro são vitais para a sequência da franquia. Valorosa opção de entretenimento, Sicario: Day of the Soldado, desponta como um dos principais filmes de seu gênero em 2018.

NOTA: 8/10

IMDb

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