The Boss Baby (O Poderoso Chefinho) – 2017

Pode parecer engraçado, mas a nomeação de The Boss Baby (O Poderoso Chefinho, no Brasil) ao Oscar foi a maior surpresa da lista inteira, na minha visão. Apesar de ser um sucesso de bilheteria, a produção da DreamWorks é extremamente superficial. Chega a ser estranho, portanto, o reconhecimento na mesma categoria que premiou recentemente Zootopia e Inside Out, dois filmes que propõe discussões mais complexas sobre a vida, ao mesmo tempo que aparece na lista de indicados deste ano com uma produção extremamente politizada e adulta (The Breadwinner) e outra fruto de um impecável trabalho de uma década (Loving Vincent).

A Baby Corp é uma espécie de fábrica de crianças. Lá os bebês são gerados antes de serem encaminhados para seus pais. Durante o processo interno, ás vezes um bebê é deslocado para cumprir tarefas internas, o que lhe deixa com corpo de recém-nascido durante toda suas vidas. Um destes escolhidos é o nosso Boss Baby (Alec Baldwin). A descrição do filme parece estranha? Pois ela fica ainda mais confusa quando notamos que o bebê é “enviado” para a família de Tim (Miles Christopher Bakshi), criança mimada pelos pais que não pensa na ideia de dividir a atenção destes com um irmão. A pergunta sobre a “missão” do Boss Baby na “terra” é revelada ao longo do filme, quando ocorre uma tentativa de estabelecer heróis e vilões, que, adianto, não dá certo.

Por incrível que pareça, o trabalho final da dublagem na versão em inglês não me agradou (e saliento este ponto por acreditar justamente que este é um dos grandes trunfos da DreamWorks neste meio). A escolha de Alec Baldwin e seu tom de voz sarcástico para fazer piada com o Presidente Trump pode ser até engraçado nos EUA, mas esta decisão acaba comprometendo a experiência do filme no mercado mundial, já que a dublagem é copiada e não sobra qualquer referência ao público estrangeiro.

O mais confuso, no entanto, está no mundo criado pela DreamWorks, que não explica e nem propõe discutir gravidez e tem uma coleção de falhas de continuidade ao longo de seus 90 minutos. O filme, por exemplo, não explica nada sobre a rotina do Boss Baby na fábrica de crianças, e, apesar de mencionar que os bebês-chefes se aposentam, não deixam claro o que isso significa (morte?).

Geralmente as produções da DreamWorks são lançadas com Blu-Rays recheados de extras que tornam-se complemento da produção. Neste caso, como imaginado, pouco é adicionado ao filme em si, já que as cenas deletadas são péssimas (piadas requentadas, que não acrescentariam nada) e as palavras do diretor Tom McGrath evidenciam um filme sem rumo. Esta estranha nomeação ao Oscar, no entanto, dará folego para a franquia, que continuará em 2021.

NOTA: 4/10

IMDb

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