Curtas de documentário indicados ao Oscar 2018

Neste ano a Academia restringiu o acesso aos curtas. Após o lançamento da pré-lista de indicados, apenas membros da Academia participaram das sessões fechadas em Los Angeles. Com as indicações, o acesso aos curtas ainda está difícil, ao menos até o lançamento dos indicados pela ShortsHD, mas com algumas aberturas para o público externo. Por isso registro meu agradecimento as distribuidoras dos curtas de documentário por facilitarem meu acesso.

Neste ano temos uma seleção bem diversificada. Sem sombra de dúvida essa categoria é imprevisível, já que muitos da Academia simplesmente preferem não votar, mesmo com o screener na mão. Vamos aos cinco indicados:

Edith+Eddie – Esse era o único curta da lista que eu tive acesso durante o ano passado. E também é a produção de maior apelo emocional. Durante meia hora acompanhamos a história de amor de Edith e Eddie. Dez anos atrás, Eddie estava sentado em um banco próximo de uma lotérica quando viu Edith pedir para que ele apostar alguns números. Eddie apostou nos números até acertar, e eles dividiram o prêmio. A partir deste fato, os dois decidiram se casar. A grande peculiaridade deste caso é que estamos falando de suas pessoas quase centenárias. Enquanto observamos o carinho compartilhado entre os dois, salientando o “amor a primeira vista”, nas palavras de Eddie, o casal acaba se separando por conta de uma grave disputa familiar sobre a guarda de Edith, que mostrava os primeiros sinais de demência. A produção emociona e revolta. NOTA: 8/10. IMDb

Heaven is a Traffic Jam on the 405 – Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival Full Frame (tanto pelo juri como pelo público, fato raríssimo), o curta de Frank Stiefel mostra a batalha da artista Mindy Alper contra as doenças mentais que lhe atormentam. Alper já ficou dez anos sem poder pronunciar uma palavra e faz um tratamento muito rígido com auxílio de variados remédios para tentar viver normalmente. Mesmo com depressão profunda, Alper produziu um elevado número de obras de arte que expressam fases de sua vida. A partir de entrevistas, Stiefel faz paralelos entre a Alper artista com a Alper humana, trazendo rápidos episódios da vida da artista para apreciação do público. É muito bonito ver o contato de Mindy com o mundo, e não tenho dúvida de que a sensibilidade ímpar de Stiefel foi responsável pela nomeação ao Oscar. NOTA: 7/10. IMDb

Heroin(e) – Favorito ao prêmio, o curta conta com distribuição da Netflix (o que ajuda muito nesta categoria) e foi a produção desta categoria que mais recebeu atenção da mídia no último ano (justamente pela visibilidade oferecida pela plataforma de streaming). A Virgínia Ocidental é um dos estados dos EUA que mais sofre com a epidemia de opioides – principalmente a heroína. A cidade de Huntington – classificada na década passada como o local mais insalubre do país – registra uma taxa de overdose dez vezes maior do que a média nacional. Com direção de Elaine McMillion Sheldon, o curta dirige sua atenção para três mulheres que lutam para mudar a realidade da cidade, a partir de diferentes frentes: Rader é enfermeira; Patricia é a juíza local; e Necia uma moradora que tenta fazer a diferença ajudando todas as noites os viciados com alimentação e abrigo. Por mais louvável que seja os esforços para mostrar como três pessoas tentam fazer a diferença, infelizmente o pecado do documentário está na falta de uma discussão maior sobre a epidemia de drogas na cidade. Talvez o envolvimento do poder público – que certamente tornaria o documentário muito mais longo – dentro da narrativa pudesse mostrar com mais efetividade um histórico sobre a cidade e sobre as perspectivas futuras. NOTA: 6/10. IMDb

Knife Skills – A produção mais fraca dentre as nomeadas neste ano é dirigida por Thomas Lennon, vencedor do prêmio da Academia nesta categoria em 2007. A abertura de um renomado restaurante francês em Cleveland, Ohio é o alvo. A grande curiosidade é que quase todos os empregados são ex-presidiários, que tentam se realocar na sociedade em uma profissão desafiadora. O curta tem como destaque o período de seis semanas até a inauguração do local. A partir da vida do chef Brandon Chrostowski, fundador do restaurante, com um histórico de problemas com a justiça, Lennon tenta criar um ponto de convergência entre o chef e seus empregados. No entanto, as cenas parecem superficiais demais. O treinamento mais parece com um episódio de Masterchef. Faltou humanizar o curta e dar voz aos ex-detentos. NOTA: 5/10. IMDb

Traffic Stop – Caso a influência da Netflix seja contida nesta temporada, acredito que Traffic Stop será o vencedor desta categoria. Digo isto por este curta realmente consegue atingir todos seus objetivos propostos e tem uma consciência documental sólida desde o primeiro minuto. Em 2015, a professora de matemática Breaion King foi parada por um policial na cidade de Austin, Texas, por dirigir acima da velocidade permitida na via pública. O incidente que acarretaria uma multa leve acaba com uma atitude abusiva do policial, que prende King de forma violenta. A diretora Kate Davis reconstrói o caso com a filmagem do evento, que ganhou notoriedade nacional, mesclando entrevistas para discutir o racismo na sociedade estadunidense. NOTA: 8/10. IMDb

 

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