Planetarium (Além da Ilusão) – 2016

O ano de 2016 definitivamente foi de extremos para Natalie Portman. Com Jackie, que lhe rendeu uma nomeação ao Oscar e vários prêmios de sindicatos de críticos, a atriz mostrou sua versatilidade ímpar. Já em Planetarium (Além da Ilusão, no Brasil), pior longa de sua filmografia até agora, Portman não consegue se desvincilhar do padrão rígido proposto pela roteirista e diretora Rebecca Zlotowski, entregando uma atuação ruim que nivela com a produção geral deste filme.

Portman e Lily-Rose Depp interpretam as irmãs Laura e Kate Barlow, duas médiuns americanas de passagem pelo continente europeu. A jovem Kate possui o dom de fazer contato com fantasmas, enquanto Laura atua como uma espécie de empresária, fazendo contatos e negociando pagamentos. Durante uma apresentação em Paris, elas conhecem o produtor Andre (Emmanuel Salinger), que realiza o convite para filmar algumas sessões para exibição no cinema.

Zlotowski mistura realidade e ficção com vida e morte ao querer unir vários elementos de sua trama em um filme sonolento e sem qualquer coerência. Para exemplificar a confusão, cito três grandes arcos que são expostos sem a mínima preocupação com o público, já que a conclusão aberta do filme apenas deixa ainda mais claro os buracos do roteiro. Em primeiro lugar, o caráter ‘paranormal’ das irmãs não é exposto de forma decente. As cenas são irritantes e a precária montagem apenas piora o quadro geral; o rico contexto do período entre-guerras não é explorado. Talvez isso tenha ocorrido pela falta de recursos para captar tomadas externas, mas é ridículo ver que um filme que se passa na França sequer cite o perigo nazista (e isto poderia ser facilmente retratado no cotidiano das irmãs). Por fim, Andre é baseado em Bernard Natan, produtor que adquiriu a Pathé durante a crise de 1929. Para quem não conhece a história de Natan, a persona de Andre torna-se totalmente injustificada. A produção de filmes pornográficos – um dos motivos que levaram Andre a prisão (para depois morrer no campo de Auschwitz-Birkenau) é rapidamente citada, mas sem nenhuma referência concreta.

Planetarium é um desastre total. O filme não conseguiu distribuição nos Estados Unidos pelos resultados dos test screenings, mas ainda assim encontrou espaço para entrar no mercado brasileiro, o que seria positivo se não fosse a lista enorme de ótimas produções do último ano que sequer chegaram ao home video por aqui. Uma perda de tempo completa, Planetarium tem alcance extremamente restrito, em torno apenas da imagem de Portman.

NOTA: 3/10

IMDb

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