Star Trek Beyond (Sem Fronteiras) – 2016

Sempre considerei os fãs de Star Trek apaixonados e fanáticos. Compreensível, dada a qualidade do universo consolidado na enorme franquia de Gene Roddenberry. No cinema, no entanto, poucos filmes conseguiram convencer fãs e críticos. Em alguns casos, como Star Trek V: The Final Frontier, o produto apresentado foi tão ruim que a Paramount cogitou cancelar os projetos subsequentes na grande tela, com medo de arruinar a reputação dos criadores e da própria série. No final da década passada, quando o reboot era visto com desconfiança, cheguei a escrever que a chave para o sucesso estaria no resgate de histórias simples, mas eficazes. Star Trek Beyond (Star Trek: Sem Fronteiras, no Brasil) mantém o bom nível de seus antecessores, sem grandes destaques individuais, mas com a mesma essência da série que conquistou várias gerações.

Um pedido de socorro leva Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto) e seus comandados para dentro de uma nebulosa, onde acabam sendo alvo de uma emboscada comanda por Krall (Idris Elba). Após a USS Enterprise ser alvo de pesadas avarias, ela colide no planeta Altamid, separando todos por conta do amplo raio de destroços. Bones (Karl Urban) e Spock tentam superar suas desavenças; Kirk e Chekov (Anton Yelchin) buscam uma saída ao mesmo tempo que tentam entender Kalara (Lydia Wilson), responsável pelo caos; e Scotty (Simon Pegg) encontra uma guerreira local – Jaylah (Sofia Boutella) – que vira peça essencial para ajudar na retirada do planeta hostil.

A direção de Justin Lin é bastante segura, e incrivelmente simples. Fiquei muito surpreso, pois Lin abusou de seu poder para colocar ao avesso toda a franquia Fast & Furious. Aqui, talvez influenciado diretamente por J.J. Abrams, ele opta por tomadas amplas, que mostram ao espectador a dimensão dos problemas enfrentados pela equipe, ao mesmo tempo que consegue ser preciso na captação de uma sequência de pequenas piadas de efeito, que nos acompanham desde as primeiras cenas. Lin também deixa claro sua aposta por efeitos eye-candy, que são espetaculares em IMAX por toda conjuntura de vastidão estabelecida a partir do confronto que define o roteiro. Aqui, uma ressalva: o que causa o espanto positivo é a qualidade da direção, e não a fiabilidade da sequência propriamente dita. Por conta disso, o espectador que deixar para prestigiar o longa em casa perderá, sem sombra de dúvida, boa parte da construção visual, que é feita para impressionar, com alguns dos melhores efeitos visuais dos últimos tempos.

Após treze filmes, não se pode pedir para que Star Trek tente trazer algo novo, extraordinário. O que se deve destacar é a boa química entre os personagens e o interessante formato adotado pelos roteiristas Simon Pegg e Doug Jung, que repassam um dinamismo acentuado, onde as histórias paralelas conseguem se unir de forma agradável para acentuar o grande confronto que toma lugar nos últimos vinte minutos.

Beyond não pode ser comparado ao clássico The Wrath of Khan. Dentro de seu contexto, pode-se dizer que é um filme inteligente, com boa produção e fotografia – que certamente terá uma excelente  bilheteria. Bom para os fãs, bom para os idealizadores e bom para o cinema.

NOTA: 7/10

IMDb

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