Jim: The James Foley Story – 2016

O mundo começou a conhecer o ISIS em agosto de 2014, quando o fotojornalista estadunidense James Foley foi decapitado – com o vídeo distribuído pelo Estado Islâmico através da internet. As imagens de horror seriam as primeiras de uma série de mortes brutais orquestradas pelo grupo terrorista. Produzido pela HBO, Jim: The James Foley Story, busca analisar o perfil de Foley ao entender a motivação que o levou aos cenários de guerra que cobriu em sua carreira e verificar o quanto o trágico desfecho da história abalou especialmente seus familiares e colegas de profissão.

Dirigido por Brian Oakes, o documentário tem duas fases, bem divididas. Na primeira, busca-se dar um panorama geral da carreira de Foley. Sua primeira cobertura foi na Líbia, em 2011, quando ficou por quarenta dias na condição de refém do exército do governo. Tão logo retornou para os Estados Unidos, Jim começou a dar palestras sobre os horrores que havia vivenciado, ressaltando a importância de sua fotografia. No entanto, o trabalho oferecido pela GlobalPost e sua paixão por retratar uma realidade que era pouco discutida em seu país deram o empurrão para a cobertura na Síria, onde foi preso pelo ISIS, em 2012.

A segunda parte do documentário busca reconstituir o período em que Jim ficou no cativeiro a partir de relatos de fotojornalistas que dividiram com ele o período de confinamento. Entre abusos morais e físicos, o ISIS começou a mediar com a família uma negociação para a liberação de Jim, que não teve sucesso.

Como é comum neste tipo de produção, Oakes torna seu objeto um ser ‘maior que a vida’. Infelizmente, o espectador não tem a noção exata da abrangência do trabalho de Jim, nem mesmo um perfil exato de quem ele era, quais eram seus métodos de trabalho. Por conta da alta carga emocional envolvida – entre lágrimas e sorrisos de saudade – Jim é retratado como um mártir do jornalismo moderno, aquele que deu a vida para uma tarefa que poucos teriam a coragem de fazer. Tal afirmação, no entanto, é problemática a partir do momento em que passamos a analisar a construção proposta por Oakes. Os diálogos são mesclados com cenas que tem como objetivo ilustrar os horrores vividos pelos prisioneiros do ISIS, e a forma como eles buscavam combater o stress – seja com massagens ou com jogos feitos com o que o espaço precário disponibilizava.

A questão familiar também deve ser ressaltada. Logo após receberem a notícia da captura de Jim, seus parentes optaram pelo silêncio, conforme recomendação do governo. Tão logo eles foram à mídia para implorar aos terroristas informações sobre a saúde de James, todas as agências trataram de diminuir a importância do evento, ficando atrás da retórica tradicional da investigação secreta. É de causar espanto que o documentário não consiga articular nenhuma crítica direta a condução da política externa da administração Obama, limitando-se apenas a narrativa e visão dos familiares.

Mesmo assim. por se tratar de um tema que cada dia mais ganha visibilidade e notoriedade, não seria surpresa nenhuma se Jim: The James Foley Story conseguisse afirmação dentre os candidatos ao Oscar de melhor documentário no próximo ano. Só falta um pouco mais de confiança da HBO em seu próprio produto.

NOTA: 7/10

IMDb

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