Comoara (O Tesouro) – 2015

Corneliu Porumboiu é um dos diretores romenos que ganharam espaço por conta da New Wave de seu país, que apostou numa ruptura narrativa com o padrão vigente e buscou a criação de uma própria identidade cinematográfica. Quase dez anos após o sucesso com 12:08 Leste de Bucareste, Porumboiu demonstra segurança ao tratar de uma simples história em Comoara (O Tesouro, no Brasil), mas com espaço para abrir a análise em vários campos que ditam a realidade da Romênia.

O funcionário público Costi (Cuzin Toma) vive tranquilamente com sua esposa (Cristina Toma) e seu filho em um pequeno apartamento próximo ao centro de Bucareste. Seu vizinho, Adrian (Adrian Purcarescu), pede ajuda à família após se endividar com empréstimos com juros exorbitantes. Com a negativa inicial de Costi, Adrian sugere um plano B: financiar o pagamento de um detector de metais para analisar se a casa de seu irmão esconde um precioso tesouro, como ele sempre suspeitou na sua infância.

A questão social da Romênia está completamente vinculada na busca pelo tesouro. O país mantém uma das políticas mais duras nessa questão – tudo o que é encontrado no solo romeno pertence ao governo, com apenas 30% do valor total para o ‘caçado’ – e o descumprimento desta lei dá prisão. Ao mesmo tempo, existe o sonho de que a descoberta dos dois possa trilhar a independência financeira de ambos, que não tem nenhum luxo em suas vidas.

Nas entrelinhas, O Tesouro trata através de seu roteiro minimalista os vários rumos do capitalismo. Costi e Adrian, que tiveram suas infâncias no contexto da crise do comunismo de Ceausescu, não tem a mínima noção do que fazer caso consigam uma grande quantidade de dinheiro, pela provável falta de comida e precariedade vivida na década de 1980. Essa fantasia do tesouro é apenas uma das tantas fantasias sonhadas por milhares de romenos que buscavam melhorar de vida através de um milagre. É por isso que os dois não desistem de cavar o buraco que pode conter algum tipo de item raro- afinal, o que eles tem a perder?

A estruturação narrativa de Comoara destoa da New Wave e da própria filmografia de Porumboiu, o que sugere um movimento de transição interna no cinema do país, buscando outros tópicos e outras ambientações, apesar de manter o foco social. Longe de ser um filme ruim, seu humor seco e a lento desenvolvimento acabam atrapalhando o plano geral do longa, que torna o filme limitado para um pequeno público – como pode ser comprovado na baixa distribuição internacional do filme.

NOTA: 6/10

IMDb

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