Remember (Memórias Secretas) – 2015

“Viver em uma mentira não é viver”. Essa frase de impacto mostra-se completamente vazia tão logo rolam os créditos de Remember (Memórias Secretas, no Brasil), novo filme de Atom Egoyan. O diretor constrói uma história bizarra em cima da figura de um ator de muita credibilidade, com a expectativa que o espectador deixe de lado os imensos buracos de roteiro. A utilização do Holocausto como pano de fundo soa inapropriado para um filme que coloca brinca com o bom senso do público.

Zev (Plummer), um judeu de quase 90 anos, sente diariamente o impacto pela morte de sua esposa, Ruth. Por conta de seu esquecimento, todos os dias ele é lembrado pela enfermeira que cuida do idoso em um retiro de idosos que sua amada não está viva. Seu amigo, Max (Martin Landau), escreve uma carta que serve como uma livro de memórias para Zev, contando tudo o que ele precisa saber, já que, tão logo que acorda, o homem não se lembra de nada, nem mesmo de sua história. Max dá para Zev a missão de procurar o nazista que assassinou sua família (e a do próprio Zev também) no campo de Auschwitz. O idoso começa uma jornada em busca do criminoso, fugindo do retiro e preocupando toda sua família.

Egoyan guarda uma grande surpresa para a cena final. Só que a trama é tão mal contada – culpa do roteiro esfarrapado, com uma narração mais perdida do que o personagem principal – que, no fim, tudo parece uma grande piada. Ao contrário dos lapsos de memória curta de Guy Pearce em Memento, a demência de Zev Gutman não funciona como um dispositivo aceitável – tanto pela sua idade quanto pela forma com que sua rotina é apresentada. O pior de tudo é que o filme aposta na mistura de um thriller com uma espécie de drama pessoal, já que o esquecimento coloca o idoso em situação de fragilidade. Por isto, Plummer fica refém de um papel rígido, com pouco espaço para interpretação pessoal, criado em cima de clichês utilizados anualmente em Hollywood.

Remember. Ou melhor, não. Com pesadas criticas no seu lançamento, em Veneza, do adiamento sucessivo do filme nos Estados Unidos prova o quanto dos distribuidores ficaram com um pé atrás na hora de lançar o longa nos cinemas. É provável que se torne um filme para a televisão, e, infelizmente, fique com a marca de um ponto negativo na carreira do grande Christopher Plummer. Mais que isso, deixa clara a sequência negativa de filmes recentes de Egoyan, que precisa sair da zona de conforto urgentemente.

NOTA: 4/10

IMDb

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