Queen of Earth (Rainha do Mundo) – 2015

Queen of Earth (Rainha do Mundo, no Brasil) é um drama de difícil interpretação. Não chega a ser uma surpresa, já que o diretor Alex Ross Perry sempre focou em longas que abordassem mudanças profundas do comportamento humano. Só que neste caso, Perry joga uma bomba nuclear em seu espectador, que tenta captar a mensagem do longa ao mesmo tempo que tem que prestar atenção no caso central do filme, com ótima atuação das duas protagonistas. Em suma, o filme abre com uma grande questão: é possível manter uma amizade verdadeira, ter alguém com quem você pode contar em qualquer situação?

Catherine (Elisabeth Moss) vai passar uma temporada na casa do lago de Ginny (Katherine Waterston), sua melhor amiga. No ano anterior, Ginny estava abalada por conta de acontecimentos pessoais, enquanto Cat vivia um bom momento em sua vida. No tempo presente, a situação inverte-se, e a personagem de Moss tem dificuldades para lidar com a morte de seu pai, um famoso artista, e com a traição de seu namorado. De mãos vazias, ela chega sem rumo, sem saber o que fazer, com um olhar perdido. É então que Ginny e Catherine começam a se afastar, de forma lenta e gradual. Em volta disso, o estranhamento deixa claro que ambas não se conhecem como pensavam que se conheciam.

O filme conta com uma trilha sonora que ressalta a tensão e explora os problemas internos de Catherine. Perry é inteligente o suficiente para desafiar seu público, e deixa cenas em aberto para que o quebra cabeça que trata sobre ética e moral seja concluído junto de seu espectador, sendo que este é responsável por definir o que é certo e o que é errado. Katherine Waterston repete a excelente atuação de Inherent Vice e serve como fonte de equilíbrio. Por conta disso, Elisabeth Moss tem espaço livre para brilhar, e sua entrega é notável desde o primeiro minuto. Queen of Earth aproveita-se do alto nível das atrizes para fixar bases sólidas, que despertam, por alguns minutos, um absoluto pavor pela passividade extrema em situações adversas.

Com pouco menos de 90 minutos, a história aproveita-se do breve recorte de tempo para construir um quadro fiel da personalidade de Catherine. Sexo, nojo, rancor e afeto fazem parte do turbilhão de sentimentos em que ela se envolve. Como Cat e Ginny poderiam estar tão enganadas? Por qual motivo demorou tantos anos para elas, finalmente, descobrirem que não combinam? Elas eram realmente amigas? Se o filme abre com uma questão ampla, ele sai de cena com várias perguntas secundárias, que se enquadram em nosso dia a dia e nos fazem refletir sobre nossas próprias vidas.

NOTA: 7/10

IMDb

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