Best of Enemies – 2015

‘William F. Buckley Jr. foi o maior debatedor de sua época; Gore Vidal, o maior orador’.

Best of Enemies é um documentário que trata sobre o encontro destes dois intelectuais para discutir a eleição de 1968 nos Estados Unidos. Em um período onde as emissoras de televisão não tomavam lado e optavam por uma aparente neutralidade, a rede ABC decidiu contratar Buckley, maior expoente da direita americana, e Vidal, famoso por suas fortes posições de esquerda, para buscar maiores índices de audiência, já que a CBS e a NBC mostravam-se com índices muito melhores – e também tinham muito mais dinheiro em caixa. Ao invés de cobrir na íntegra as convenções, a ABC apostou em 90 minutos diários para mostrar os principais acontecimentos das convenções partidárias, com Buckley e Gore com um papel destaque, ao comentar as notícias.

Tudo era muito simples: em um cenário precário, Buckley e Vidal apareciam sentados. Bastava uma pergunta do moderador para a série de provocações contra o rival tomar corpo. Na eleição que definiria Richard Nixon como presidente dos EUA, as convenções tiveram um papel muito interessante. Pelo lado republicano, Ronald Reagan e sua proposta de um governo mínimo eram defendidas com unhas e dentes por Buckley- e criticadas do mesmo nível por Vidal. Do lado democrata, a indefinição de candidatos e o rumo da Guerra do Vietnã pesava. No cenário geral, as morte de Martin Luther King e Bobby Kennedy desencadearam uma série de protestos ao longo do país, que viu a eleição de 1968 como a possibilidade de um novo rumo.

Infelizmente a edição apresenta uma série de pequenos problemas. Existe uma clara opção pela linearidade, mas a vida de Buclkley e Vidal é passada a limpo de forma pingada. Ao invés de puxar os acontecimentos da vida de Buckley antes de 1968 de uma só vez, essa construção é feita aos poucos, uma opção bem questionável, dada a grandiosidade do objeto principal de análise.

A profundidade das entrevistas mostram o quanto os diretores Robert Gordon e Morgan Neville mergulharam no assunto. Conseguimos ter uma visão limpa sobre a personalidade dos dois intelectuais, e a produção vai além ao mostrar ao espectador os motivos pelos quais os dois se odiavam tanto (Buckley chegou a chamar Vidal de queer, uma expressão pejorativa para se referir aos homosexuais, enquando Vidal retrucou dizendo que ele era um ‘crypto nazi’. O destaque das influências de cada um dentro de seus partidos (Buckley muito próximo de Reagan e Vidal próximo dos Kennedy, pelo menos até brigar com Bobby, em 1962) dá bastante credibilidade. Eles realmente eram os maiores de seus tempos.

Buckley e Vidal mudaram completamente o papel da TV na época da eleição. Se antigamente os veículos de comunicação jogavam uma notícia pronta na tela, após a série de debates de 1968 eles passaram a se preocupar com um amplo debate pró e contra os Partidos Democrata e Republicano. A criação de redes de notícia com um grande molde partidário – como Fox News (R) e MSNBC (D) – é uma evolução deste movimento de quase cinquenta anos.

Em um ano de excelentes documentários, Best of Enemies deve brigar por uma nomeação ao Oscar.

NOTA : 8/10

IMDb

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