A Charlie Brown Christmas (O Natal do Charlie Brown) – 1965

Em uma lista séria de programas e filmes que tratam sobre o Natal, provavelmente você irá encontrar a recomendação de A Charlie Brown Christmas (O Natal do Charlie Brown, no Brasil). E não é para menos: tudo o que envolve esta breve produção de aproximadamente 20 minutos influenciaria profundamente não apenas os vários especiais de Charlie Brown que tomaram lugar após a exibição deste especial, mas também afetou a forma como as emissoras de televisão (e Hollywood) passaram a tratar com mais respeito as animações.

Após Charlie e Snoopy se tornarem uma febre mundial, Charles M. Schulz passou a considerar a ideia de levar suas tirinhas para as telas do cinema e/ou da televisão. O problema era que nenhuma rede dos Estados Unidos apostava no sucesso de Charlie, e a desculpa que a obra de Schulz perderia sua essência na TV virou desculpa frequente. Foi então que a Coca Cola encomendou à Schulz um especial de Natal, exigindo apenas o cenário de neve e a presença dos principais personagens das tirinhas. Em seis meses, os executivos da Coca negociaram diretamente com a rede CBS para a transmissão do programa.

Charlie Brown está com dificuldades na época do Natal. Após observar que todos em seu redor apenas estão analisando o lado comercial da data, ele aceita ser o responsável por selecionar a árvore de Natal para um concurso de sua cidade. Só que ele prefere um pinheiro real ao invés de um de alumínio, e é alvo de chacotas das crianças da zona por conta disto. Destaque especial também para o simpático Snoopy.

Após assistir ao produto final, assistentes do lendário Frank Stanton concluíram que a animação seria um fracasso, mas deram o sinal verde para a exibição por conta do alto valor de patrocínio da marca de bebidas. Em um dos curiosos casos da televisão da década de 1960, boa parte do pensamento negativo em torno de A Charlie Brown Christmas estava na falta de uma trilha de risadas ao fundo (os produtores americanos consideravam que elas eram fundamentais para influenciar a risada ao espectador) e pela música de fundo.

Música, aliás, que ganhou destaque e foi reverenciada ao longo dos anos. A mistura de músicas de natal com jazz ficou a cargo de Vince Guraldi, que criou uma das trilhas mais memoráveis da televisão infantil americana após Lee Mendelson, produtor apontado pela Coca Cola para cuidar das questões burocráticas do especial, ouvir uma faixa de seu álbum enquanto cruzava a Golden Gate Bridge, em São Francisco.

Mas A Charlie Brown Christmas só conseguiu a aprovação e aclamação do público graças a incrível adaptação, comandada pelo próprio Schulz. Imagino que devia ter sido incrível ver Charlie falar pela primeira vez e observar que seu espírito – ás vezes depressivo, ás vezes combatente – permanecia intocável, com a tradicional inocência que só as animações permitem.

NOTA: 8/10

IMDb

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