Ant-Man (Homem-Formiga) – 2015

Nova adição ao Universo Marvel, Ant-Man (Homem-Formiga) é um filme que ficou na gaveta por vários anos por conta de um curioso caso que só o mundo do cinema é capaz de protagonizar. Na metade da década de 1980, Stan Lee ofereceu à sua antiga parceira – New World Pictures – um projeto que bancaria uma produção cinematográfica deste herói. No entanto, a ideia foi deixada de lado por conta do filme Honey, I Shrunk the Kids, dos estúdios Disney. A Marvel apostou suas fichas em The Punisher, e por uma década nunca mais se discutiu no Ant-Man. Apenas no ano 2000 as negociações para levar o personagem criado por Lee em parceria com Larry Lieber e Jack Kirby foram retomadas – que se estenderam por mais dez anos por uma variada série de atritos internos e pelo fato das distribuidoras duvidarem do apelo deste personagem com o público.

Trinta anos depois da primeira ideia, Ant-Man finalmente estreia no cinema. Obviamente, o cenário é outro: a legião de fãs da Marvel certamente irá tornar o filme um sucesso de bilheteria, algo recorrente em todas as produções recentes da marca. No entanto, Ant-Man é uma produção fraca, que visa introduzir o personagem através de uma história desmembrada, perdida e contada através de piadas sem contexto. Para piorar, Paul Rudd não tem o carisma de seus colegas que protagonizaram filmes da companhia nos últimos tempos, o que deixou sua atuação completamente dependente de Michael Douglas e Evangeline Lilly, que completam o elenco principal.

São Francisco, Califórnia. Scott Lang (Rudd) acaba de ser solto da prisão após ter participado de um ambicioso esquema que visava roubar uma grande corporação. Divorciado de sua mulher, sua pequena filha é o que lhe motiva a tomar um novo caminho na vida. Na falta de oportunidades de trabalho, ele aceita participar de um último assalto, que na verdade foi esboçado pelo Dr. Hank Pym (Michael Douglas), um cientista que acredita que Lang pode ser o Homem-Formiga, que, graças a um traje especial, consegue diminuir de tamanho e manter sua força e resistência. Pym conta com a ajuda de sua filha, Hope (Evangeline Lilly), para tentar barrar um antigo pupilo (Corey Stoll), que tem planos de criar o mesmo traje e o revender para corporações que podem usar desta arma para ameaçar a segurança mundial.

O roteiro dedica um tempo precioso para contextualizar a vida de Scott, algo compreensível por se tratar de sua primeira aparição nas telas – e que segue o padrão imposto pela Marvel desde o reboot de seu Universo. O grande problema é a falta de articulação que ocorre a partir do momento em que o Homem-Formiga passa a atuar como um herói, pois a história apresenta furos horríveis, trazendo de volta péssimas memórias da forma com que o estúdio rodava suas produções antigamente, criando roteiros teleológicos e sem estruturação.

Rudd não oferece segurança, e é facilmente ofuscado pelas piadas sem graça feitas por seus amigos (liderados por Michael Peña). Na contramão, Douglas é uma boa surpresa, uma vez que realmente fechou com a proposta e personalidade de seu personagem. Mas fico curioso para saber até que ponto Evangeline Lilly irá continuar como elemento chave na história do Homem-Formiga (a cena mid credit oferece algumas pistas), pois sua atuação é a mais estável de toda esta produção.

O Homem-Formiga voltará. A Marvel atingiu um nível de apoio tão grande que pode levar às telas filmes dos mais variados personagens secundários – e ainda assim ter a certeza de rentabilidade. Espero que esta estreia do personagem no Universo seja apenas uma introdução, e que os longas futuros invistam mais na construção de argumentos mais concisos, já com a boa notícia de que o público está familiarizado com o herói.

NOTA: 5/10

IMDb

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