Whiplash (curta) – 2013

Rushing or dragging?

A história de um dos melhores filmes de 2014 começou no Festival de Sundance do ano anterior, quando o diretor Damien Chazelle apresentou em Sundance um projeto em busca de financiamento. A base era simples. Um respeitado professor (J.K. Simmons) de um instituto musical de primeira categoria que chama a atenção pelo seu método pouco ortodoxo de dar aulas e orientar seus alunos. Em meio a um ensaio, o baterista recém promovido para a banda principal (Johnny Simmons) tem a chance de se revelar para seu mestre.

Como a sessão em Sundance foi extremamente limitada (e boa o suficiente para garantir um financiamento de 3 milhões de dólares pela Sony) – não é um absurdo dizer que a esmagadora maioria (99,99%) dos críticos e amantes de cinema teve a chance de prestigiar este curta nas últimas semanas, quando foi disponibilizado online. Por isto, um exercício muito bom para se fazer é analisar o que deste projeto foi mantido e modificado por Chazelle.

Vamos aos fatos: o curta mostra aquela que considero a melhor cena de toda a história, onde o personagem de Simmons pode ser considerado um insano ao mesmo tempo que um perfeccionista com altas doses de humor negro. Obviamente a produção subsequente teve notáveis avanços na produção, edição de som e até mesmo no cenário. Mas o que chama a atenção para discussão está no roteiro e na atuação do jovem baterista.

O roteiro do curta ás vezes peca no excesso de detalhes. Mas isto não pode deixar de lado o fato de que as melhores citações já estavam presentes no roteiro original. Chazelle aperfeiçoou o que era bom, e fez um primoroso trabalho de reescrita (pequenas, mas profundas) em algumas passagens. A transição e a edição dos cortes foram feitas de forma precária no curta – algo extremamente compreensível. A verdade é que Damien Chazelle acertou em cheio ao retirar Johnny Simmons do papel principal do filme. O ator não demonstra segurança – talvez pela complexidade de seu personagem, e suas expressões faciais são extremamente forçadas. Por isto, a escolha de Miles Teller deve ser ainda mais valorizada.

Assistir a este curta – e logo após assistir ao longa vencedor de três prêmios da Academia – é uma experiência fantástica. Prova o potencial de Damien Chazelle ao mesmo tempo que serve de exemplo sobre como pequenas alterações podem ser relevantes no contexto cinematográfico.

NOTA: 8/10

IMDb

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