Taxi to the Dark Side (Um Táxi para a Escuridão) – 2007

Enquanto escrevia a dissertação de meu mestrado (direitos humanos na Era Carter), não pude deixar de notar todo o esforço que o governo americano fez para se dissociar das ditaduras da América Latina. A principal justificativa era que ditadores como Augusto Pinochet ultrapassavam todos os limites básicos de direitos humanos ao apelar para práticas de terrorismo de Estado (especialmente para a tortura).

Taxi to the Dark Side (Um Táxi para a Escuridão, no Brasil) é um daqueles documentários para colocar um grande ponto de interrogação na cabeça do espectador. Afinal, os Estados Unidos não se dizem guardiões da democracia? Como explicar, então, que o exército mais poderoso do mundo esteja envolvido em tantas acusações de violações da Convenção de Genebra? O diretor Alex Gibney foi atrás da resposta para estas questões, em um trabalho consagrado com o Oscar de melhor documentário em 2008.

Em dezembro de 2002, o afegão Dilawar comprou um táxi para poder trabalhar e conseguir alimentar sua família. Quatro dias depois, ele estava nas mãos dos americanos, que o acusavam de práticas terroristas. E uma semana mais tarde, o homem estava morto. A partir da exploração deste caso, esta produção passa a discutir a relação dos Estados Unidos com a tortura, passando pelo exército, CIA e Departamento de Estado.

Logo após o ataque de 11 de setembro de 2001, Dick Cheeney foi a público falar que os Estados Unidos deveriam mudar imediatamente a forma com que tratava prisioneiros que poderiam ser considerados terroristas. Na teoria, o alto escalão americano acreditava que os atentados poderiam ter sido evitados caso tivessem retirado mais informações de prisioneiros ligados a Al-Qaeda. Desde então, a administração Bush começou um programa para orientar a retirada de informações de prisioneiros a qualquer custo. Se eles não falassem por bem, teriam que falar por mal, através da tortura.

O ponto alto desta produção é conseguir investigar do micro para o macro. Isto ocorre pelo fato da história de Dilawar não ser um caso isolado, mas sim um pequeno capítulo dentro de uma conjuntura bastante negativa. A infame prisão de Guantánamo e o escândalo das fotos de Abu Ghraib são tratados a partir de relatos de soldados que participaram das sessões de tortura, acadêmicos, e por recortes de noticiários e programas de televisão com passagens de oficiais do governo – também citados nas sessões do Congresso.

Fora todo problema da tortura por si só, também existe a questão burocrática por trás de tudo isto. Como fica claro no final do documentário, existe uma grande proteção para que nenhum militar de topo sofra qualquer tipo de processo. Quem fica com a culpa são aqueles que agiram a mando de seus superiores, carregando não apenas a culpa perante a opinião pública, mas também penas de prisão e desemprego – apenas uma ponta do inferno que suas vidas se tornariam.

Excelente pedida para refletir sobre a incursão no Afeganistão, a Guerra no Iraque e na constante luta do bem contra o mal do governo W. Bush.

NOTA: 8/10

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