Big Eyes (Grandes Olhos) – 2014

Vencedor do Globo de Ouro de melhor atriz, Big Eyes (Grandes Olhos, no Brasil) marca a volta de Tim Burton no gênero biográfico. Para isto, o diretor contou com duas das principais mentes de Hollywood neste tipo de longa: Scott Alexander e Larry Karaszewski – que foram responsáveis pela escrita de filmes como Ed Wood, The People Vs. Larry Flynt e Man On The Moon – mais uma vez mostram o motivo pelo qual esta parceria de sucesso segue eficiente.

A cidade de San Francisco dá lugar para uma história que ocorre na década de 1950, período em que os direitos femininos eram quase nulos – e poucas delas enfrentavam a submissão imposta pelos seus maridos. Amy Adams interpreta Margaret, mulher que optou por deixar para trás seu marido e que encontra na Califórnia o ambiente ideal para criar sua pequena filha. Após receber a ameaça de perder a guarda da criança, já que a justiça americana considerava inapropriado na época uma mãe solteira criar uma criança sem a presença de um homem, Margaret cai no charme de Walter Keane (Christoph Waltz), que se passava por um pintor de relativo sucesso e que dizia ter uma invejável bagagem artística em Paris. Os dois se casam e Margaret começa a fazer sucesso com seus quadros em que retrata crianças com olhos grandes. Só que Walter, vigarista de carteirinha, usa o casamento como forma de se promover e entra no meio artístico americano como o pintor destes quadros, fato que Margaret aceita por conta dos cheques milionários e da lábia invejável de seu novo marido. Mas com o passar dos anos Margaret nota que Walter criou um mundo imaginário onde distorcia toda a inspiração por trás das crianças das pituras apenas para encher seu ego com histórias absurdas. O longa também cobre o período do julgamento que reconheceu Margaret como a verdadeira criadora e pintora de todos os quadros de crianças com olhos grandes – e que deixou Walter na miséria.

A doce Amy Adams é a base para tornar Big Eyes agradável. Sua interpretação com tons inocentes é o contraste perfeito do charlatão com quem Margaret foi casada. Fiquei surpreso com o esnobe da Academia em ambos os casos, pois Waltz desempenhou um personagem difícil e conseguiu deixar de lado seus vícios de atuação para convencer o público do nível do baixo nível de Walter Keane. Margaret foi entrevistada por Burton durante as filmagens e se encontrou com Amy Adams. Seu talento é reverenciado até os dias de hoje, e o filme certamente vai influenciar seu reconhecimento em países que jamais ouviram falar da pintora. Apesar de ter vários pareceres negativos de críticos de arte, na década posterior ao seu julgamento ela virou a queridinha de Hollywood e fez várias caricaturas de atrizes, atores e diretores famosos com os seus registrados olhos grandes. Burton comprou uma série de quadros de Margaret nos anos 90 e desde então considerava a possibilidade de levar para o cinema o drama pessoal desta senhora.

Apesar de não ter nenhuma indicação ao Oscar, é hilário ver Waltz interpretando um homem com dupla personalidade. Talvez esta pitada excessiva de humor não tenha agradado a Academia, mas o grande trabalho da equipe de produção para levar as telas esta história com um incrível número de detalhes merece todos os elogios. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29).

NOTA: 7/10

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