Joyeux Noël (Feliz Natal) – 2005

100 anos atrás ocorria um dos episódios mais discutidos e lembrados da Primeira Guerra Mundial: a trégua de natal. As tropas francesas, alemãs e inglesas decidiram interromper as batalhas na véspera de natal e no dia de natal para confraternizar e proporcionar um verdadeiro intercâmbio entre seus soldados. Apesar da decisão não agradar nem um pouco o comando de guerra dos países envolvidos, este evento ficou marcado como uma das grandes demonstrações de paz durante este difícil período de hostilidades.

A história é contada a partir dos diferentes pontos de vista de cinco personagens. O tenor alemão que virou soldado (Benno Fürmann) e sua mulher dinamarquesa (Diane Kruger), o tenente francês que não abre mão de ficar próximo de seus soldados (Guillaume Canet), o capitão escocês de uma pequena cidade (Gary Lewis) e o tenente alemão judeu (Daniel Bruhl, na melhor atuação do longa).

O roteiro é bem construído. Temos toda uma contextualização sobre o que franceses, ingleses e alemães pensavam uns dos outros e como cada país via a Grande Guerra dentro de seus objetivos nacionais para então explorar as duras condições das trincheiras, as sangrentas batalhas e as mortes. Quando chegamos no grande evento – a trégua – temos mais da metade do filme rodado, algo bastante positivo. As partidas de futebol, as missas conjuntas e os diálogos entre os soldados foram dramatizados de relatos históricos, mas sem base concreta em bibliografia especializada. Acredito que tal opção deve-se a tentativa dos produtores em fazer um filme agradável para todo público Europeu, já que não existe um julgamento do bem ou do mal.

O filme foi bem recebido nos Estados Unidos. No entanto um curioso episódio deve ser registrado: a MPAA, órgão que controla os ratings (o que chamamos por aqui de classificação indicativa) na terra do Tio Sam, classificou o filme como Rated R, por conta, especialmente, de uma cena de sexo onde o mamilo da mulher aparece por alguns segundos. Os franceses, com razão, protestaram e conseguiram reverter a sentença para um PG-13, em uma das raras vezes em que a MPAA aceitou pressão externa.

Indicado da França para o Oscar de melhor filme estrangeiro (perdeu para o sul-africano Tsotsi), Joyeux Noël é uma bonita história que retrata com muita propriedade um dos elementos mais bonitos do ser humano: a fraternidade.

NOTA: 7/10

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