The Babadook – 2014

The Babadook está na boca do povo! Foi incrível observar como este pequeno filme australiano conseguiu tanta publicidade em tão pouco tempo. E o melhor de tudo, sem gastar um tostão. Muitas pessoas questionam se nesta era globalizada em que vivemos ainda há espaço para o marketing old school boca a boca. Sim! E este é um belo exemplo.

O filme tem como objetivo explorar o que a diretora  Jennifer Kent chama de “terror inteligente”. Ou seja, buscar aquele sentimento de tensão no espectador mas sem abusar de clichês, jogando uma proposta de roteiro bastante agradável.

Amelia (Essie Davis) é uma mulher viúva que trabalha em um asilo e com muito esforço cuida de seu filho, Samuel (Noah Wiseman). O garoto tem sérios problemas de comportamento na escola, e tudo piora após Amelia achar um estranho livro chamado Babadook – que apresentava mensagens de morte e prometia perseguir a família. Por uma hora e meia entramos no cotidiano dos protagonistas para entender como esta “assombração” modificou suas vidas. Aliás, é aqui que entra o terror inteligente de Kent, já que ela deixa para seu espectador duas possibilidades para compreensão do filme. A primeira seria o que chamo de interpretação tradicional de filmes de terror, ou seja, acreditar que tudo o que você vê na tela é realidade e que os fantasmas/espíritos/demônios realmente existiram e afetaram aquela história. Por outro lado, Babadook está conquistando a crítica por oferecer também a hipótese de que tudo o que vemos na tela é fruto da imaginação de Amelia. Cabe a cada um decidir o que se encaixa melhor neste longa.

Outro destaque é para a maquiagem. De verdade, eu canso de dar boas risadas quando vejo as mulheres dos filmes americanos com o cabelo sempre arrumado e com a maquiagem em dia, mesmo após vários e repetidos choros. Aqui, desde o primeiro minuto, notamos que Amelia é uma mulher literalmente acabada, que não se cuida e não tem tempo para se arrumar. O inverso da vaidade e do estrelismo que impera na terra do Tio Sam.

O que me incomodou em The Babadook foi talvez a falta de compromisso da diretora por dar uma resposta satisfatória no final do longa. Não quero dar spoilers, mas seja qual interpretação você escolha, ainda assim vai faltar algo. Fica um ponto de interrogação no ar. Pra mim, isso sugere uma sequência – e também anula todo o discurso independente da produção, que já deve ter recebido inúmeras ofertas para adaptar este filme em Hollywood. No fim do dia, The Babadook garante uma experiência comum. Talvez toda excitação se deva pelo fato de que apareceu alguém fora do eixo oriental para trazer uma produção com um padrão de qualidade acima do que os americanos apresentam hoje neste gênero.

NOTA: 6/10

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