Into the Storm (No Olho do Tornado) – 2014

Conheço poucos críticos de cinema que deixam a sessão quando um filme é ruim. Quando os críticos americanos se reúnem para conferir os indicados a melhor filme estrangeiro, por exemplo, eles formam um pacto para interromper um longa muito fraco por consenso, até para evitar constrangimentos pessoais. Como já falei aqui no site, eu não consigo deixar de assistir um filme que comecei, até porque esta é uma das minhas tarefas: julgar e avaliar; aprovar ou reprovar.

Começo esta crítica com estas palavras pois sei que posso evitar que meu leitor perca 90 minutos de sua vida com Into the Storm (No Olho do Tornado, no Brasil). Temos aqui um claro exemplo de um longa que lucrou o triplo de seu orçamento apenas com a divulgação de trailers que apresentavam alguns efeitos especiais. O resultado do trabalho do diretor Steven Quale é tão ruim que por nenhum momento o espectador se sente seguro e confortável com o roteiro apresentado.

O gênero desastre é um velho conhecido de Hollywood. Na década de 1970 pensava-se que Airport e The Poseidon Adventure eram apenas o começo de uma revolução na forma de contar um drama – que misturava a natureza selvagem com thriller – uma combinação que deu certo pouquíssimas vezes. Na última década, a popularização do 3D e a ampla gama de recursos gráficos permitiu um revival, que está saindo pior que a encomenda, já que é possível notar com clareza que o público paga o ingresso para ver duas ou três cenas isoladas e sai reclamando da forma como a história foi contada.

Into the Storm não consegue nem focar em um determinado objetivo. Primeiro somos apresentados a uma equipe caçadora de tempestades, que busca pelo tornado/furacão perfeito, como aqueles programas que vemos em canais como o Discovery Channel. A seguir, temos duas figuras que buscam fazer vídeos em que aparecem na tempestade para publicar no Youtube atrás de dinheiro e fama. Into the Storm também mostra uma escola que marcou a formatura do ensino médio justo na data em que a grande tempestade iria acontecer.  E um pai que busca ficar perto de seu filho após o começo da tempestade.

Pois é, a história é recortada desta maneira mesmo. E quem seria a grande estrela do filme? A tempestade? A pergunta parece boba, mas ao mesmo tempo em que os recursos gráficos fazem maravilhas para destruir uma cidade por conta da força da natureza, o filme trata de diminuir de forma vergonhosa a escala da tempestade ao encerrar com aqueles dois homens que querem fazer vídeos para o Youtube, citados anteriormente, fazendo graça. Ora, em uma cena antes ambos tinham sido engolidos por um tornado gigantesco. Absurdo!

Nenhuma credibilidade, nenhuma consideração com o espectador. Para quem tem curiosidade, sugiro analisar o trailer (provavelmente ali estará tudo o que você procura). Ótimo marketing, péssima direção e condução.

NOTA: 2/10

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