The Three Faces of Eve (As 3 Máscaras de Eva) – 1957

O ano era 1957. Nunnally Johnson, o homem responsável por adaptar o roteiro de The Grapes of Wrath (1940) comprou os direitos da história de Christine Costner Sizemore, uma das primeiras pacientes da história a ter registrado seu distúrbio de múltiplas personalidades. Por mais incrível que a história possa parecer, logo o diretor se deu conta de que levar para as telas um longa deste nível não seria tarefa simples. Ou ele agradaria o grande público ou agradaria aos críticos.

Johnson entregou uma cópia do roteiro de para Orson Welles, que garantiu que a atriz que interpretasse o papel de Eve, personagem principal, ganharia o Oscar. Judy Garland chegou a ser cogitada para o papel principal, mas os produtores consideraram que sua imagem havia sido atrelado ao filme A Star Is Born de uma maneira que não convenceria o espectador de toda a transformação necessária da personagem principal. A jovem Joanne Woodward passou na seleção e acabou levando o papel (justo na sua segunda experiência no cinema).

Eve White (Woodward) é uma mãe de família quieta e gentil. Ela sofre com fortes dores de cabeça, que ficam cada vez mais frequentes. Após tentar agredir sua filha e gastar uma fortuna em uma loja de roupas, seu marido, Ralph (David Wayne) decide procurar a ajuda de Curtis Luther (Lee J. Cobb) e Francis Day (Edwin Jerome), que logo fazem o diagnóstico de Eve. Ela sofre um distúrbio de múltiplas personalidades. Sua segunda máscara mostra uma mulher que busca pela liberdade e não aceita limites; já a terceira é mais racional e busca entender mais sobre seu diagnóstico.

O problema da produção é que ela está envolta em um melodrama muito sem sentido. Isto só acontece pelo fato dos roteiristas decidirem simplificar ao máximo a história. Okay, a protagonista tem três personalidades diferentes, mas a forma como ela é abordada não é nada satisfatória. Durante todo filme o psiquiatra parece tratar Eve como um brinquedo. Ela troca de personalidade quando ele quer, na hora que ele quer, o que não é apenas irreal, mas também vergonhoso. Será que não teria uma forma melhor de conciliar os problemas mentais com uma pegada mais realista? As várias caras e bocas de Woodward também se juntam a um narrador oculto que pega o espectador pela mão desde o primeiro minuto para explorar o mundo em que Eve vive. Faltou liga.

Para quem vai assistir ao longa, um conselho: busque a versão restaurada em Blu Ray. A qualidade da transferência está incrível!

NOTA: 6/10

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