Barabbas (Barrabás) – 1961

Barabbas (Barrabás, no Brasil) aproveitou a onda de filmes épicos no cinema para explorar a vida deste homem tão pouco discutido na história.

Aprendi na escola que este homem foi um malvado ladrão ou até mesmo um assassino. Cada professor lançava um adjetivo diferente para qualificar negativamente esta pessoa. Somente na faculdade parei para estudar algumas passagens do novo testamento e fiquei bastante surpreso ao ler que Matheus apenas se referenciou a ele como “um notório prisioneiro”, enquanto Marcos e Lucas o classificavam como um revolucionário. São várias a interpretações. Na Academia, a teoria de Max Dimont é bem aceita: ele diz que a história de Barrabás peca pela falta de fiabilidade jurídica, já que a tal “tradição” de libertar um prisioneiro condenado a morte na páscoa não é citada por nenhum outro escritor daquele período.

Enfim, seja qual seu ponto de vista, devemos concordar que temos muito pouca coisa escrita sobre este homem. O lendário Nobel da Literatura Pär Lagerkvist escreveu em 1950 um livreto ficcional sobre a vida de Barrabás após a crucificação. A publicação recebeu diversos elogios, foi adaptada para o teatro três anos mais tarde e teve seus direitos comprados por Dino De Laurentiis, que colocou Richard Fleischer como responsável pela direção da obra cinematográfica.

Apesar da produção ser muito bem feita, vários problemas podem ser discutidos ao comparar a obra de Lagerkvist com a versão feitas nas telas: se eu dissesse que o diretor só manteve o título, vocês acreditariam? Pois é, a obra de Pär tem apenas 140 páginas e é toda baseada nas diferenças entre Jesus e Barabás: enquanto um é um ser da luz, o outro é a alma das trevas.

Não é isto o que vemos neste longa de 1961: Anthony Quinn dá vida a um protagonista que fica perdido entre o bem a o mal. Ora ele tende a seguir os padrões que adotava antes de ser preso, ora ele questiona sobre a bondade de Jesus. Isto seria completamente compreensível se não fosse o fato de Barrabás conhecer todos os discípulos (inclusive seus esconderijos) e mais tarde ver seu amigo Shak (Vittorio Gassman) citar passagens bíblicas antes mesmo destas serem publicadas. Ou seja, a opção dos produtores foi por manter este anacronismo para tornar a obra acessível ao público geral. Pode parecer a melhor decisão, mas poderia ser muito melhor trabalhada. Várias vezes senti falta de um fio condutor entre a emoção excessiva do personagem com o que realmente estava acontecendo no Império Romano naquele período.

Após a morte de Jesus, Barrabás comete outro crime e é condenado a trabalhar nas minas de enxofre da Sicília e de lá passa a ser um gladiador do Império. Ele é treinado pelo mal-encarado Torvald (Jack Palance) e destaca-se pela sua bravura.

Se o filme fosse filmado uma ou duas décadas depois, tenho certeza que as várias batalhas apresentadas (e que tanto fogem da proposta original) seriam trocadas por uma análise profunda sobre os problemas psicológicos e a carga sob os ombros do protagonista.

Apesar dos vários problemas, a produção italiana Barabbas foi um dos grandes filmes épicos daquela década. Destaque para a ótima atuação de Quinn.

NOTA: 6/10

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