Underground (Underground – Mentiras de Guerra) – 1995

Qual é o melhor filme feito na década de 1990? Pergunte para seus amigos. A mulher mais romântica irá dizer Titanic. A sábia romântica talvez cite The English Patient. Os cults vão falar Pulp Fiction ou Lock, Stock and Two Smoking Barrels. Enfim, são tantas as opções. Mas preste atenção na minha dica: mantenha a amizade de quem lhe responder com Underground (Underground – Mentiras de Guerra, no Brasil).

Este instant classic de Emir Kosturica conta a história de dois traficantes de armas, Marko (Miki Manojlovic) e Blacky (Lazar Ristovski). Eles mantém uma pequena indústria de armamentos durante a Segunda Guerra Mundial e sofrem para despistar os temidos nazistas. O problema é que mesmo após a Iugoslávia ser libertada, Marko decide continuar com a história de que os nazistas estão vencendo a guerra, prendendo seu grupo de amigos e os obrigando a produzir a maior quantidade de armamentos possíveis. O filme cobre um período de mais de cinquenta anos, sem nunca perder sua essência.

A música é brilhante! Sem dúvidas a melhor trilha da filmografia de Emir até o momento. A construção da história nunca deixa de lado o elemento mais marcante da carreira do diretor sérvio. É belo observar como as imagens de uma pobre galeria subterrânea ou até mesmo da pequena fábrica de armamentos ganham vida com uma trilha sonora de qualidade. Um show a parte, vale a pena prestar bastante atenção. A comédia é refinada, já que o humor é trabalhado a partir de piadas secas. Elas não são numerosas, mas são erguidas aos poucos em meio a um ambiente onde o bizarro e o surreal andam de mãos dadas.

Quem não vive na turbulenta região onde o filme foi rodado deixa de lado uma importante discussão que até hoje ronda Underground: a orientação política do longa e de Emir Kusturica. Lembrem-se que após a extinção da antiga Iugoslávia socialista vários países surgiram. Com o começo da Guerra da Bósnia e o cerco de Sarajevo, as disputas entre os sérvios com os croatas e bósnios atingiu a todos os meios possíveis, desde a música até a literatura, passando, é claro, pela indústria do cinema. Enquanto os sérvios cultuam Underground como o maior filme já feito naquele país, é comum ver o ódio dos croatas ao filme, já que parece ficar claro que Marko e Blacky são uma idealização dos sérvios, que, por sua vez, sofreram nas mãos daqueles que preferiram colaborar com os regimes dos nazis e anti-Tito, como os croatas.

Discussões de lado, o espectador mais desligado ainda pode fazer relação com os vários grupos étnicos da região. Basta saber um pouco da história enfrentada pelo país na turbulenta década de 1990. Como costumo falar nestes casos, não deixe as três horas de Underground espantar seu interesse. Invista na sua cultura pessoal e dê uma chance para a maior pérola do cinema iugoslavo de todos os tempos.

NOTA: 9/10

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