Tempo di viaggio (Tempo de Viagem) – 1983

Tempo di viaggio mistura reflexões pessoais de Andrei Tarkovsky com lindas cenas de sua viagem a Itália junto do lendário roteirista Tonino Guerra durante o período de pré-produção de Nostalghia.

Originalmente feito para exibição rede de televisão RAI, esta produção certamente chama a atenção de todos aqueles que querem descobrir mais sobre Tarkovsky e sua concepção sobre cinema. Mas ao contrário do que eu imaginei, o filme não é totalmente direcionado a Tarkovsky. Em várias ele aparece perguntando sobre arquitetura e história, em uma tentativa de conhecer mais sobre o país visitado. Mas é óbvio que as cenas mais interessantes acontecem quando Andrei está sentado e passa a refletir sobre sua carreira, seus trabalhos e suas influências.

Uma passagem marcante diz respeito às dicas do soviético para aqueles que querem começar na carreira do cinema. Ele afirma que o diretor é um artista sujeito a pressões e problemas do mesmo nível que um compositor, poeta ou músico. Por isto é fundamental não se distanciar de suas origens e sempre se lembrar de suas raízes e influências ao começar um longa. As palavras poéticas do diretor, aliadas a sua franqueza chegam a emocionar.

Ao discutir sobre seus diretores favoritos, Andrei cita Michelangelo Antonioni como um homem que revolucionou a ação apresentada nas telas. Para tal constatação, Andrei toma por exemplo o filme L’Avventura (cujo roteiro foi escrito por Tonino Guerra). Jean Vigo é considerado como “o pai do cinema francês”, enquanto Robert Bresson seu maior expoente. O soviético ainda cita seu gosto pelas películas de Federico Fellini (não pelo lado comercial, mas sim pela forma como elas são construídas). Aliás, é justamente esta palavra “comercial” que Andrei não gosta nem um pouco. Ao analisar sua carreira, ele diz que não gostou do resultado final de Solyaris pois teve que ficar preso ao gênero de ficção cientifica, que tinha uma base estética apelativa e voltada quase sempre para o estouro nas bilheterias. É por isto que até 1983 ele considerava Stalker como um filme completo, já que ele rompeu todas as barreiras impostas pelo estúdio e

Entre passeios e lindas tomadas que capturam um pouco da essência da Itália que Tonino tanto queria apresentar para seu amigo. Para quem quer saber mais sobre a vida deste grande cineasta, recomendo dois livros:  Time Within Time (lançado no Brasil com o título Diários 1970 – 1986) e  Sculpting in Time: Tarkovsky The Great Russian Filmaker Discusses His Art (Esculpir o Tempo). Em breve farei uma análise destes dois livros aqui no site.

NOTA: 7/10

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