Den brysomme mannen (O Homem Que Incomoda) – 2006

Den brysomme mannen (O Homem Que Incomoda, no Brasil) é uma ambiciosa comédia surrealista dirigida por Jens Lien. O longa foi um sucesso na Noruega e recebeu boas críticas no restante da Europa. Mas o lançamento nos Estados Unidos ficou restriro apenas a um punhado de festivais e cópias no home vídeo.

Andreas Ramsfjell (Trond Fausa) observa um casal se beijar loucamente em uma estação de metrô. Mas, ao contrário do que você possa imaginar, este beijo na verdade é uma das coisas mais horríveis que já vi: o casal não aparenta ter nenhuma emoção e age por um instinto robótico. Ramsfjell também parece não acreditar no que vê e decide se atirar na frente de um trem. A partir deste momento um corte nos leva para uma estranha experiência surreal do protagonista, que chega a uma cidade muito diferente de tudo o que ele estava acostumado.

Minha interpretação pessoal é que estamos assistindo na verdade o inconsciente de Andreas enquanto ele está em coma no hospital. Isto explicaria o mundo relativamente perfeito em que ele vive: não existem problemas, não há mortes, as mulheres com quem ele se relaciona são lindas e o sexo é fácil (apenas para elencar alguns pontos). Ao mesmo tempo, sua mente parece não se acostumar com as situações bizarras com que ele se depara. Em uma determinada cena, ele diz para sua parceira que está gostando de outra mulher e parece não acreditar ao não receber tapas ou palavrões. É apenas um exemplo da pequena luta entre o real e o irreal que é travada durante os 90 minutos de duração deste longa.

Com poucas linhas de dialogo, a fotografia torna-se o elemento de destaque: os tons acinzentados trabalham muito bem com a trilha sonora do compositor Edvard Grieg e dão um ar de monotonia. E quem é o responsável por tentar romper com ela? Justamente nosso protagonista, que não aceita as coisas como elas são (o que explica o título).O único (e grande) problema é que as piadas não são boas. Mesmo com a premissa de uma ótima ideia, já na metade do filme passei a duvidar se era realmente um norueguês que dirigia esta película. Afinal, esperava um humor negro e seco mas encontrei um punhado de símbolos um tanto quanto sem sentido.

É um tipo de filme bem raro, que te deixa sem explicações e com a leve sensação que você não entendeu nada após os créditos rolarem. Mas não se preocupe, essa era a ideia mesmo. Acredito que nem Lien conseguiria arrumar palavras para explicar o porque este homem que incomoda tanto. Tudo parte de nossa experiência pessoal.

NOTA: 6/10

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