Vermischte Nachrichten (Notícias Variadas) – 1986

Vermischte Nachrichten (Notícias Variadas, no Brasil) é um desconhecido filme do cineasta alemão Alexander Kluge lançado em 1986.

O longa não fez sucesso na Europa por partir de uma perspectiva experimental deste diretor. Dificilmente quem foi conferir no cinema Vermischte Nachrichten tinha algum suporte para entender o que se passava na cabeça de seu realizador. A interpretação do título filme é o primeiro ponto chave para compreender tudo o que o espectador vê durante os 100 minutos de exibição: uma televisão ligada na sala indica que é a hora das notícias. A âncora do telejornal da noite, algo no estilo Jornal Nacional, começa a citar títulos de reportagens e contar casos que serão lançados para nossa análise.

Ou seja, o filme é composto por várias histórias sem ligação entre si, que só foram apresentadas por estarem na pauta do telejornal. Estes curtas variam de cenas de um minuto de duração até histórias mais complexas.

A que mais se destaca trata sobre Max, um simples garçom que se vende por cinco mil marcos para fazer um casório falso com uma africana, sendo que esta só estava interessada na nacionalidade alemã. Ao invés de recolher o dinheiro e tocar sua vida, Max passa a se interessar pela mulher e fica incrédulo ao descobrir que ela é uma prostituta. A história que primeiramente se encaxaria na categoria de “denúncia” poderia muito bem figurar na seção criminal após o homem tomar medidas extremas para se aproximar da africana. Em um trecho que poderia muito bem entrar na seção policial, observamos uma mãe que protege seu filho contra um misterioso homem que quer entrar na sua casa. Temos ainda curtas relacionados a um velório e o acompanhamento do dia-dia de uma doente senhora. Na seção política, Kluge explora como Erich Honecker reagiu a declaração de lei marcial na Polônia (assinada pelo general Wojciech Jaruzelski). Por fim, uma interessante história da Segunda Guerra Mundial é explorada quando a jornalista trata do caso das tropas alemãs que praticaram o canibalismo nos momentos finais da Batalha de Stalingrado.

Cada história é tratada a partir da visão de seus personagens. Mesmo entendendo a proposta de Kluge, que recentemente desenvolveu uma longa teoria sobre a relação de troca entre cinema e espectador, é muito difícil avaliar positivamente uma película sem base ou contextualização nenhuma. A cena final é muito aberta, o que torna o fim do pitoresco noticiário apenas um ato comum sem sentido.

NOTA: 5/10

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