The Fugitive Kind (Vidas em Fuga) – 1960

Neste dia 3 de abril, enquanto completo mais um ano de vida, gostaria de fazer uma pequena homenagem a um dos maiores atores de sempre: Marlon Brando. Caso estivesse vivo, o eterno protagonista de Don Corleone e Terry Malloy completaria 90 anos. Nada melhor do que analisar um filme deste ícone do cinema.

The Fugitive Kind (Vidas em Fuga, no Brasil) teve um orçamento milionário, contando com um elenco e produção de calibre para Oscar. Com roteiro do grande Tennessee Williams o filme se tornou um flop e foi mal recebido pela crítica americana. Val Xavier (Brando), chega a uma pequena cidade e consegue um serviço na loja de Lady Torrence (Anna Magnani), uma ninfomaníaca cujo marido esta em seus dias finais. O moço chama a atenção de todas as garotas da região, como Carol Cutere (Joanne Woodward), mas sua crescente popularidade desperta a ira de parte da população, que passa a levantar suspeitas sobre seu passado. 

Sidney Lumet apenas aceitou dirigir o filme após confirmar que Marlon estava escalado como protagonista. Para conseguir tal feito, já que o ator não havia se interessado pelo roteiro inicial, a United Artists pagou 1 milhão de dólares para Brando (pagamento recode na época). Este, que já desfrutava de uma má reputação em Hollywood por seu comportamento explosivo nas gravações, gerou um clima pesado no set após declarar que Anna Magnani não estava no seu nível e que não era nem um pouco atraente. A rixa criada entre os dois foi tão forte que eles jamais fizeram as pazes. Darwin Potter conta em seu livro Brando Unzipped que a atriz italiana tentou engatar um romance com o americano e se sentiu rejeitada após receber uma resposta negativa. A verdade é que a própria atuação de Magnani é apagada. Ela se defendeu das críticas dizendo que por muitas vezes chegou as filmagens com a  cabeça em outro filme, Risate di gioia de seu amigo Mario Monicelli, cuja produção começou uma semana após o fim das filmagens de The Fugitive Kind. Nem perto da grandeza do ótimo A Streetcar Named Desire, The Fugitive Kind tenta explorar ao máximo a imagem de Brando. Esqueceram de avisar Lumet que Lady Torrance não era Blanche DuBois. A tentativa de construir o modelo de personagens problemáticos a partir do longa de Elia Kazan de 1951 não deu espaço para Brando se desvincular do seu popular personagem Stanley, O filme perde momentum e se torna mais um drama amoroso sem sal na sua hora final.

Ainda assim, uma produção essencial para todos os fãs de Brando. Sua atuação é marcante. Mas se bem que não poderia ser diferente, afinal estamos falando de Marlon Brando.

#BRANDO90

NOTA: 6/10

IMDB

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