Post Especial #5 – Análise da 86ª entrega de prêmios da Academia (Oscar 2014).

Sensacional este Academy Awards! Esta foi a segunda edição apresentada por Ellen DeGeneres. Na primeira vez ela se mostrou um pouco acanhada, talvez até por limitação da produção. Mas ontem isto não aconteceu. Os produtores Craig Zadan e Neil Meron aprenderam muito com os erros cometidos por Seth MacFarlane e apostaram em trocadilhos e piadas engraçadas, mas nunca vulgares. Ellen DeGeneres já mostrou seu potencial no monólogo inicial. Ela garantiu boas risadas ao tirar June Squibb para uma senhora surda ou fazer piada com as quedas de Jennifer Lawrence, por exemplo. Minha parte favorita do monólogo foi quando a apresentadora brincou com as duas possibilidades que poderiam ocorrer na 86ª edição do Oscar. “Possibility #1: ’12 Years a Slave’ wins. Possibility #2: You’re all racists.”

Entre os vários momentos engraçados da noite, destaco a entrega de Pizzas (que foi bem recebida pela maioria dos presentes no Teatro Dolby) e a melhor foto da história da internet. A apresentadora já havia tentado algo parecido em 2007, quando pegou sua máquina digital e pediu para Steven Spielberg tirar uma foto dela com Clint Eastwood para publicar em seu MySpace. Mas o boom da era digital moderna, que permite o compartilhamento de uma foto com o clique, fez com quebrasse todos os recordes de visualização e compartilhamento da história da rede. Uma foto compartilhada 2 milhões e 500 mil vezes em apenas 12 horas é para se respeitar (até eu quis brincar e fazer um selfie do selfie). Mostra todo o potencial de integração entre o glamour do Oscar com o público de casa. Este será o foco dos próximos anos, algo que certamente deixará o show muito mais leve e divertido.

Vamos falar das premiações. Nas categorias principais, nenhuma surpresa. 12 years levando o prêmio principal já era esperado, assim como Gravity abocanhando quase todas suas indicações, levando a maioria dos prêmios técnicos. Jared Leto fez o discurso mais emocionado da noite, inclusive citando apoio aos manifestantes da Ucrânia e da Venezuela. “All right, all right, all right”. Matthew McConaughey está no topo de Hollywood. Premiação justa, não poderia ser diferente. Alfonso Cuarón volta para o México com duas estatuetas (além do prêmio de diretor ele também levou o Oscar de melhor edição). A maior decepção da noite foi na categoria de documentário. Ainda estou digerindo a derrota de The Act of Killing. Antes de dormir fiquei pensando como Joshua Oppenheimer perdeu o Oscar. Nada ainda consegue me convencer, mas creio que a equipe The Act of Killing não foi profissional o suficiente para enfrentar a temporada de premiações. Mas não dá pra remoer muito. Estas coisas acontecem. A maior alegria da noite foi ver Cate Blanchett sendo premiada como melhor atriz. Trabalho impecável em Blue Jasmine. E seu discurso de aceitação foi muito bem articulado, diga-se de passagem.

Mais uma vez fecho com 100% de acertos nas categorias principais. Poxa, não tem como não ficar feliz, até porque meu ídolo, Roger Ebert, dizia que sempre falhou nas tentativas de adivinhar os resultados da Academia com 100% de sucesso (na grande maioria das vezes, ele errou apenas um palpite). Mas na minha opinião a Academia está bastante previsível. Talvez as premiações como o BAFTA e o Globo de Ouro estejam levando a essência da surpresa e do inesperado. Se você analisar os ganhadores dos prêmios técnicos, eles apenas seguem o previsto no sindicato. A corrida pelas grandes categorias é uma coisa feita pela mídia para promover o show. Enfim. fico na torcida pelo retorno de Ellen no dia 22 de fevereiro de 2015. Se Billy Crystal conseguiu ser host por quatro vezes consecutivas, não vejo motivos para trocar o comando do show. A maioria dos críticos de TV dos EUA aplaudiram a atuação de DeGeneres. Um sucesso!

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