El Mariachi (O Mariachi) – 1992

Sete mil dólares. O custo de uma câmera de vídeo de primeira linha? Bem, para Robert Rodriguez esse foi o valor necessário para concluir seu primeiro filme e ganhar notoriedade mundial. Em 1991, o diretor mais conhecido por dirigir Sin City (2005) e Grindhouse (2007) elaborou o roteiro de uma ação típica mexicana, que envolvia cartel, dinheiro e vingança.

El mariachi (Carlos Gallardo) só quer um quarto de hotel para descansar e se preparar para tocar na noite de uma pequena cidade mexicana. Mas ele é confundido com um criminoso procurado pelo druglord local e passa a lutar pela sobrevivência. A série de encontros e desencontros do criminoso real com o inocente músico é contada em oitenta minutos.

Com apenas 25 rolos (!!) e com a maioria das cenas gravadas na correria, o grande charme do longa é justamente os frequentes erros de produção. Desde sons abafados até imagens completamente desfocadas, El Mariachi está longe de ser considerado um trash pela ótima edição do diretor. Esta é uma grande amostra de como era possível fazer algo bom sem precisar de muito. Realmente acredito que hoje tal feito não seria concretizado sem apoio de distribuidora ou financiadora, até pelos custos envolvidos.

As histórias associadas ao longa são bizarras! A imprensa local criticou muito o diretor por atrapalhar a rotina com correrias no meio da rua e Rodriguez não conseguiu o número de homens para completar o elenco. A solução foi utilizar vários adolescentes na cena final, sendo que todos trabalharam em troca de uns trocados para a janta. A cena de uma tartaruga cruzando a estrada foi improvisada após Rodriguez quase matar o animal com seu carro. Inicialmente planejado apenas para rodar na Cidade do México, os executivos da Columbia Pictures gostaram tanto do que viram que decidiram comprar seus direitos e transferir as cópias de 16 para 35mm.

Se El Mariachi fosse uma produção americana, provavelmente seria conhecido hoje como um filme B sem sal. Mas após a entrada da Columbia, o filme fez mais de dois milhões de dólares só em bilheteria, deixando caminho aberto para o diretor assinar contrato para mais dois longas deste estilo, Desperado (1995) e Once Upon a Time in Mexico (2003). Para quem se interessar, Rodriguez contou o segredo do sucesso de seu primeiro filme no livro “Rebel without a Crew: Or How a 23-Year-Old Filmmaker With $7,000 Became a Hollywood Player”.

NOTA: 6/10

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