Charly (Os Dois Mundos de Charly) – 1968

“Antes de Rain Man existiu Charly”. Foi assim que descobri este filme de 1968 em um tópico do reddit. Para minha grande surpresa e decepção, o filme que deu o Oscar de melhor ator a Cliff Robertson conta uma história absurda e exagerada.

Baseado em no conto  Flowers for Algernon de Daniel Keyes, o longa segue os passos de Charly (Robertson), um homem que tem sérios problemas mentais. Motivo de chacota de seus colegas de trabalho e dono de um QI extremamente baixo, ele é convidado a participar de um experimento para tentar ficar inteligente através de um inovador procedimento cirúrgico no cérebro. É aqui que acaba a parte de drama do filme e uma mistura de comédia e ficção de péssimo gosto toma lugar. Charly fica dono de uma inteligência fora do comum e é capaz de aprender e decorar qualquer coisa escrita.

O grande problema que tive com este filme é a forma com que o roteiro é trabalhado: após Charly realizar a cirurgia não sabemos nada de sua rotina. Ele dá discursos, corrige médicos e até chega a se apaixonar pela sua professora (Claire Bloom). Como ele aprendeu? Quem o ajudou? Seria possível captar todo o conhecimento de uma vida em poucos meses? São perguntas os produtores deixaram de lado para apostar em um romance onde o protagonista é a grande vítima (descobrimos o motivo nas cenas finais). O diretor Ralph Nelson descartou qualquer possibilidade de tornar seu filme mais humano para apostar em um jogo futurista com várias cenas nonsense.

No ano de seu lançamento, várias revistas americanas fizeram matérias especiais sobre o longa. O interesse em saber se o experimento do filme era possível na vida real foi tão grande que, por mais absurda que a ideia pareça, vários críticos preferiram deixar de lado as falhas de Charly para usar o filme como uma tentativa de projeção do futuro. Mas não vou os julgar e termino por aqui este review. Vai que daqui a cinquenta anos alguém leia as críticas de Her (2013) e fale a mesma coisa.

E não, Charly não tem nada haver com Rain Man.

NOTA: 4/10

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