Cimarron – 1931

Já havia escrito sobre isto antes, mas volto a repetir:  Cimarron é o filme mais odiado entre os vencedores do Oscar de melhor longa. É muito interessante observar como o gosto por filmes muda a cada geração. Dirigido por Wesley Ruggles, o longa foi sucesso de bilheteria na época de seu lançamento. A aventura misturada com western também foi aplaudida pelos jornais de sua época graças ao investimento milionário feito pela RKO em 1931, enquanto o país ainda enfrentava as consequências da Grande Depressão. Hoje é muito raro ver alguém mencionar este filme (eu nunca vi, por sinal). Seu roteiro se aproxima muito do que você vê hoje em uma novela. Alguns cliffhangers, muito melodrama e uma pequena dose de ação.

Mas o que mais irrita em Cimarron é justamente a maravilhosa cena inicial (foto). O deslocamento em massa de uma multidão dá a falsa sensação de que estamos prestes a assistir um épico, quando na verdade o que segue é uma história muito simples adaptada do livro homônimo de Edna Ferber. Conta-se que a RKO pagou mais de 125 mil dólares para garantir os direitos da autora, um recorde na época. Os produtores apostavam que o popular Richard Dix atuando no papel principal traria consideráveis lucros para a empresa.

O jovem e ambicioso Yancy Cravat (Dix) muda-se com sua mulher Sabra (Irene Dunne) e sua família do Kansas para o recém-criado território de Oklahoma. Cravat funda no vilarejo de Osage um jornal e torna-se figura central na vida cotidiana da cidade.Observamos vários períodos da vida de Yancy, desde a legitimação de seu status no vilarejo até seus anos finais. Pode parecer um absurdo hoje, mas o roteiro não tem uma história paralela que chame a atenção: as brigas do editor com pistoleiros locais (que mostram muito potencial) são encerradas abruptamente com um tiroteio dentro de uma igreja. A amizade do personagem principal com um dos principais bandidos da região também termina de forma bizarra.

Cimarron é um filme voltado para o fã de cinema que quer assistir aos vencedores da principal categoria da Academia. Aos olhos de hoje não chama a atenção e não tem apelo nenhum.

NOTA: 5/10

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