The Lion King (O Rei Leão) – 2019

The Lion King (O Rei Leão) é um clássico da década de 1990 – uma animação que marcou jovens e adultos, com perfeita articulação entre arcos narrativos. Seria comum olhar para o projeto de remake com desconfiança, especialmente após Dumbo. Mas é importante mencionar que a produção comandada por Jon Favreau merece todo destaque por uma série de motivos: respeito ao roteiro e a história original; bom casting, com destacado trabalho de vozes; e gráficos fotorrealistas extraordinários; Com duas horas de rodagem, os trinta minutos de diferença para o original é complementado com novos atos musicais, expansão de personagens e análise da dinâmica de relação dos principais nomes do filme.

Entendo que o projeto será controverso, mesmo entre os fãs. O foco da produção está no realismo em torno dos personagens (dentro do contexto da magia da Disney, obviamente). A alegria e o tom vibrante do desenho de 1994 dão lugar a uma paleta de cores bem mais contida, refletindo a natureza. E aqui mora a questão chave para uma pessoa amar ou odiar este remake: quem procura a alegria e o charme do desenho talvez fique decepcionado pelo andamento mais contido da trama, que tem como escape humorístico os simpáticos Timão, Pumba e Zazu (Seth Rogen, Billy Eichner e John Oliver).

Como a história é a mesma (com adições pontuais) – abro espaço para dois destaques individuais: o primeiro é Chiwetel Ejiofor. Existia um peso enorme nas suas costas, pois Scar é fundamental no filme e a ausência de Jeremy Irons foi lamentada por praticamente todos os fãs. O fato é que tanto no ato musical quanto na narrativa, o trabalho de Ejiofor é muito bom, acima do esperado. E também cito Beyoncé, que consegue sustentar muito bem a história de Nala, que tem mais espaço no remake.

A Disney marca época ao apresentar um dos mais ambiciosos projetos na questão de efeitos visuais: a fotografia comandada por Caleb Deschanel – moldada a partir da realidade virtual – apresenta cenários incríveis, riquíssimos e muito detalhados. É um passo adiante, um grande avanço pegando a base sólida de The Jungle Book e que deve refletir em outras áreas – seja dentro do cinema ou mesmo na produção de games.

Cito, por fim, a qualidade do trabalho do roteirista Jeff Nathanson. Existem, sim, duas cenas com um nítido arrasto, que poderiam ter sido resumidas ou removidas. Mas o lema deste remake é o respeito ao original: algumas piadas foram refinadas, outras adicionadas. Mas a trama é a mesma, o arco emocional é o mesmo, os personagens são os mesmos. É uma nota simples, mas importante. É preciso abraçar e apreciar a proposta deste remake para, de fato, notar os avanços feitos aqui. O efeito nostalgia, caso aplicado de maneira intensa, acaba sendo prejudicial neste caso, pois a composição visual é extremamente diferente.

Comentário em vídeo:

NOTA: 9/10

IMDb

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