Toy Story 4 – 2019

Cresci assistindo Toy Story e sempre fiquei encantado com a qualidade do mundo criado pela Pixar. Não é um marco apenas no campo gráfico, mas também no narrativo: em cada filme, novos (e encantadores) personagens, que conseguem brilho próprio e são fundamentais nas histórias propostas. Por conta deste padrão altíssimo, muitos fãs demonstraram preocupação com Toy Story 4: seria mesmo necessário? como seria a articulação dos personagens com Bonnie? Eu também tinha tudo isso em mente quanto entrei na sessão para prestigiar a nova animação da Pixar: expectativa enorme, mas uma ponta de medo com o resultado final – é claro. 100 minutos depois, um misto de emoções: sorrisos, uma pequena lágrima e a certeza de que a quarta entrada da franquia é espetacular!

Seguindo os eventos de Toy Story 3, Bonnie cria um novo brinquedo, Forky (Tony Hale). Desajeitado e sem entender muito bem seu papel, Forky conta com a ajuda de Woody (Tom Hanks) para captar as noções básicas e responsabilidades. Mas uma viagem de Bonnie acaba gerando problemas para a turma, separando Woody do resto da turma – e ele acaba reencontrando uma velha amiga, Bo Peep (Annie Potts).

O ponto forte de Toy Story 4 é a excepcional articulação entre as histórias propostas: a partir da premissa em torno de Woody, por exemplo, existe espaço para a inclusão de novos personagens, com total destaque para Duke Caboom (Keanu Reeves). Sem o envolvimento de John Lasseter, quem assumiu a responsabilidade do projeto foi Josh Cooley, veterano na Pixar que merece crédito em seu primeiro trabalho como diretor.

Tenho certeza que o grande arco narrativo que toma conta do filme – apelando muito para o emocional – está diretamente ligado a relação do público com os filmes anteriores. É difícil não se emocionar com o desenrolar da trama. Mas aponto que fiquei muito surpreso pela ótima dose de humor – misturada entre Forky e Caboom – com piadas afiadas que realmente acrescentam algo. Não é por acaso que a franquia Toy Story é inspiração constante para produtores e diretores que trabalham com animação: mais uma vez a harmonia entre roteiro, personagens e trilha sonora funciona. Randy Newman, aliás, propõe a volta da consagrada canção You’ve Got a Friend in Me com ótimas adições.

Lealdade e o poder da amizade são tópicos que acompanham a série desde o primeiro filme, em 1995. É lindo notar que estes valores continuam com uma abordagem extremamente direta e simples, e a evolução desta discussão é feita em Toy Story 4 usando Woody, que questiona sua própria função como brinquedo. A mensagem é de que todos, em algum momento, questionam seus rumos e que não é absurdo se sentir perdido e indeciso perante um momento de transição.

Como de praxe, o trabalho gráfico é espetacular, com notáveis avanços (especialmente nos detalhes dos cenários, muito mais vivos do que os predecessores). Toy Story 4 é uma carta de amor da Pixar aos fãs – que conclui sua rodagem com cenas finais inesquecíveis. Uma animação de primeiro nível, que não deixa nada a desejar e que certamente terá lugar no coração de quem acompanha Woody, Buzz e cia desde o início!

Comentário em vídeo:

NOTA: 9/10

IMDb

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