Child’s Play (Brinquedo Assassino) – 2019

O reboot de Child’s Play (Brinquedo Assassino, no Brasil) causou enorme controvérsia. Don Mancini, criador do personagem, deixou claro que não apoiou a produção distribuída nos EUA pela United Artists por ter se sentido desrespeitado. O fato é que a Orion e a MGM notaram a decadência dos filmes recentes da franquia, com roteiros pobres e que sequer aproveitavam o carisma do personagem, cultuado dentro do slasher. Isto deve ser anunciado ao público de forma transparente, pois o longa toma liberdades que jamais seriam aprovadas por Mancini – e o que acabam tornando a experiência final esquisita.

Gosto do personagem principal mais do que dos próprios filmes. Mancini nunca ligou muito para o investimento em produção – preferindo entregar uma experiência forte dentro da proposta de gore. Quando fugiu disso, o resultado final sempre foi de decepção. A reestruturação dirigida por Lars Klevberg e escrita por Tyler Burton Smith busca posicionar o brinquedo no século XXI, tendo em conta os avanços tecnológicos – e, pela primeira vez, apresenta um cuidado na fotografia e na construção do ambiente.

Andy (Gabriel Bateman) é um tímido menino de 13 anos que tem problemas em casa. Não aceita o namoro de sua mãe, Karen (Aubrey Plaza) e ainda sofre bullying de seus colegas. Certo dia Karen chega em casa com o revolucionário boneco Buddi – que se conecta com todos aplicativos e desempenha várias funções – mas ela não sabe de um segredo apresentado ao espectador sobre um “pequeno problema” justamente na produção daquela peça.

A relação do boneco com Andy tem um impacto bom na construção, muito mais íntimo. O toque do filme, extremamente direto e rápido, ajuda a narrativa, que nunca fica arrastada pois sempre propõe uma tensão nova na tela. O grande problema está na concepção do boneco: infelizmente o modelo é horrível, e ainda que a Orion tente defender dizendo que estamos diante de um avançado animatrônico, isso não é o suficiente para levar a sério o personagem. Com um pouco de atenção, nota-se que o CGI dos olhos compromete (e muito) na experiência final.

O trabalho de Mark Hamill como voz do protagonista é o grande destaque desta produção – que também conta com o melhor trabalho de fotografia da franquia e com uma boa trilha sonora.  Também existe uma boa promoção de discussão de fundo sobre consumo e tecnologia, mas ela é aproveitada superficialmente pelo pouco tempo de rodagem.

Sinto que estamos diante de um bom ponto de partida para uma nova franquia, mas, da mesma forma, esperava um pouco mais. Mas não se deixe enganar: se você busca violência e gore, o longa entrega isso, em dose satisfatória. O fã leal a Mancini, que buscava um tributo (ou algo mais calibrado ao original), no entanto, ficará decepcionado. Faltou um pouco mais de articulação nos eixos narrativos que Klevberg buscava sustentar, mas tendo em conta o que é produzido hoje no gênero, o esforço deve ser reconhecido.

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NOTA: 6/10

IMDb

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