Godzilla: King of the Monsters (Godzilla II: Rei dos Monstros) – 2019

Os japoneses gostam de dizer que a ação Kaiju é totalmente voltada para o entretenimento. De certa forma, estão certos. É ótimo ver um bom trabalho e desenvolvimento gráfico, é ótimo ver detalhes e sentir o rastro de destruição que o gênero proporciona. Godzilla: King of the Monsters (Godzilla II: Rei dos Monstros, no Brasil) tenta agradar aos fãs ao voltar o foco de sua atenção para quem realmente interessa, com épicas e grandiosas cenas de batalhas. Mas a história precisa de um eixo voltado para os humanos, já que o estabelecimento do Monsterverse é prioridade para a Warner, dado o ótimo resultado de bilheteria.

E é aí que está o grande problema deste filme. Todas linhas de diálogo são incrivelmente amadoras, causando um enorme desperdício de talento e inacreditáveis decisões de roteiro. O longa trata de criar um laço com seu predecessor logo nos minutos iniciais, trazendo de volta a Monarch e criando uma narrativa em torno de Emma Russell (Vera Farmiga) e sua filha, Madison (Millie Bobby Brown). O melodrama barato calibra com filmes B pela constante necessidade de desviar a atenção para casos de pouca relevância para o desenvolvimento do arco central.

Quando o filme se volta para as verdadeiras estrelas, produz ótimas cenas: Mothra, Rodan e King Ghidorah estão impecáveis – ainda que a escuridão, a chuva ou mesmo a neve possam distrair em determinados momentos. A grandiosidade das batalhas em larga escala acaba tornando a participação humana cada vez menos interessante, o que evidencia o gravíssimo problema de montagem.

É bem verdade que muitos fãs de filmes com Kaiju não ligam para o desenrolar e focam seu interesse apenas nos monstros. Por este motivo, posiciono Godzilla: King of the Monsters como uma opção de entretenimento viável para quem busca exatamente isso. Mas também lembro que apesar de plot básicos e simples, os longas japoneses também despertavam de maneira indireta questões que passavam desde os problemas nucleares até mesmo o nacionalismo. Nada disso ocorre aqui, e o diretor Michael Dougherty parece satisfeito ao entregar um produto final superficial, que não apresenta interesse no desenvolvimento de um personagem e está muito mais preocupado no futuro da franquia e no próximo filme, Godzilla vs. Kong, que será lançado no próximo ano.

Com isso, Godzilla: King of the Monsters está no mesmo nível do longa de 2014. Se o drama consegue ser pior, as cenas de ação mostram evolução gráfica e tomam mais tempo de tela. Divisivo.

Comentário em vídeo:

 

NOTA: 5/10

IMDb

Deixe uma resposta