Replicas (Cópias – De Volta à Vida) – 2018

É comum uma produtora construir um filme centralizando toda história em cima de um grande nome de Hollywood: Pacino e De Niro, por exemplo, encheram os bolsos com este tipo de projeto na década passada – que tem como resultado filmes com qualidade questionável, além do baixo orçamento e do consequente lançamento limitado (quase sempre voltado para home video ou streaming). Mas alguém da Riverstone Pictures tentou “aperfeiçoar” essa fórmula em Replicas (Cópias – De Volta à Vida, no Brasil). Ao posicionar Keanu Reeves no papel principal e fazer um agressivo marketing que vendeu o longa como uma grande experiência de ficção científica, os gastos superaram os trinta milhões de dólares – algo impossível de cobrir apenas vendendo DVD’s e Blu Rays ou mesmo assinando um contrato com a Netflix. O problema é que o filme tem gravíssimas falhas estruturais, conta com péssimas atuações e efeitos especiais que são dignos de risadas. Por isso Replicas foi o pior lançamento da carreira de Reeves e é o pior filme de sua filmografia até hoje.

O neurocientista Will Foster (Keanu Reeves) trabalha em um ambicioso projeto para transferir o cérebro humano para robôs. Certo dia, no entanto, ele sofre um acidente na estrada e testemunha a morte de toda sua família. O que ele faz? Obviamente trabalha para criar replicas dos mortos com a ajuda de seu amigo, Ed (Thomas Middleditch).

A simplicidade como Foster faz as cópias beira o bizarro – com o constrangimento e a vergonha alheia de ver um bom ator envolvido em um projeto totalmente sem rumo. O vocabulário básico do cotidiano do mundo digital – como “download” e “upload” – é refinado para tornar a excessiva digitação do personagem de Reeves no computador como algo de propriedade e relevância. As atuações do elenco de apoio são ruins – mas aqui cabe uma consideração: como exigir muito destes atores, sendo que o protagonista está em péssima forma no filme?

O filme tem um roteiro absurdo – e quero destacar apenas uma das “peculiaridades”. O filme demora para posicionar um eixo de atrito – no caso, os vilões da história. E quando eles chegam, repentinamente Replicas passa da ficção para o thriller – usando o drama familiar como ponte de ligação. Não existe articulação, não existe motivação e nem desenvolvimento de personagens.

A questão ética em torno da transferência de memórias de um humano para um robô é descartada. Ao invés disso, o filme ainda termina com um tom sarcástico (?). Pergunto qual era o interesse dos produtores – e se, de fato, eles acreditavam que alguém iria gostar da história a ponto de exigir uma continuação.  Mesmo com a recepção extremamente negativa nos EUA, Replicas encontrou compradores em mercados como Brasil, Japão e Índia – que prestigiam muito Reeves. Mas acredito que até o fã mais fiel do ator terá dificuldades para defender este projeto – um caos do começo ao fim.

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NOTA: 2/10

IMDb

 

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