Vox Lux – 2018

Vox Lux tem um perfil estético e narrativo destacado – que pode ser comprovado, por exemplo, no vistoso rolar dos créditos iniciais (totalmente fora do padrão, mas muito agradável). Principal aposta da Neon na última temporada de premiações, o longa dirigido por Brady Corbet não consegue, no entanto, sustentar sua ambiciosa divisão em capítulos, tornando-se uma decepção para quem esperava muito desta produção, especialmente pelo investimento na produção e pela participação de Natalie Portman.

Em 1999, a estudante Celeste (Raffey Cassidy) tem sua vida e rotina completamente alterada após um atentado em sua escola. Durante o período de recuperação, ela escreve uma música junto de sua irmã, Eleanor (Stacy Martin), para homenagear os colegas que foram brutalmente assassinados. A música conquista o país e Celeste vira artista de um empresário (Jude Law) que tenta moldar sua personalidade e criar uma nova estrela da música pop. Anos mais tarde, a mesma Celeste (Portman) – agora narcisista – vê outro atentado terrorista mudar sua vida.

Para conter os inúmeros furos do roteiro, foi utilizado um narrador (o ótimo Willem Dafoe) para explicar as mudanças de Celeste. O que mais me chamou a atenção – e acaba se tornando uma marca negativa – é que o filme tem um primeiro capítulo de peso, com cenas chocantes e que poderiam tratar de forma sólida sobre traumas, mas perde a chance de construir algo sólido e bom ao não conseguir fazer a transição para Natalie Portman – que evidentemente esbanja talento, mas está presa em uma personagem estereotipada.

A falta de articulação dos atentados com o segundo capítulo – onde Celeste busca sua redenção pessoal – incomoda pois evidencia a falta de direcionamento da trama. Os arcos secundários – seja a motivação da Celeste adolescente para continuar na carreira musical ou o alcoolismo e a relação da Celeste adulta com sua filha – sequer conseguem a juntura necessária para consolidação do quadro narrativo proposto. Jude Law, por exemplo, é utilizado de forma aleatória – sem qualquer consistência e relevância, algo que acaba virando nota nos comentários do narrador.

Vox Lux, é verdade, tem uma tomada final interessante e muito bem produzida (tanto é que foi aproveitada para todo o marketing em torno do projeto), mas que não é o suficiente para apagar a péssima impressão deixada na condução do filme por Corbet. É uma pena, aliás, que o fracasso do projeto deixe de lado o excelente trabalho de composição original feito por Sia para este filme.

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NOTA: 5/10

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