The Ballad of Buster Scruggs (A Balada de Buster Scruggs) – 2018

Os irmãos Coen tem grande prestígio em Hollywood – e isso ficou evidente com as três nomeações de The Ballad of Buster Scruggs (A Balada de Buster Scruggs, no Brasil) na Academia, incluindo uma surpreendente menção para melhor roteiro adaptado. A produção da Netflix é dinâmica e consegue se reinventar várias vezes durante suas duas horas de rodagem pela antologia de contos violentos, macabros e engraçados.

Poucos conseguem avançar com a ideia de produzir um filme no velho oeste: as distribuidoras não veem possibilidade de fluxo e lucro, e o bom The Sisters Brothers é a prova de que o gênero precisará ser reinventado para se tornar financeiramente atrativo. Neste sentido, só mesmo a Netflix poderia bancar e promover um projeto deste porte.

A divisão em seis contos opta por um grande ato introdutório, com Tim Blake Nelson interpretando o personagem que dá nome ao filme. Cowboy destemido, Buster tem como marca suas frases cantarolantes e sua grande habilidade na manipulação do seu revólver.

A conclusão do primeiro ato é significativa, pois marca o ponto máximo da narrativa, já que não temos – nem de perto – alguma outra história que consiga manter o mesmo nível. Na sequência temos, Near Algodones – sobre um ladrão de banco (James Franco) que busca escapar da sentença de morte; Meal Ticket – sobre um empresário artístico (Liam Neeson) e sua “atração” (Harry Melling) – um homem sem pernas e braços que viaja com ele recitando clássicos como Ozymandias; All Gold Canyon, sobre um prospector (Tom Waits) em busca de seu sonho; The Gal Who Got Rattled – um romance improvável (Zoe Kazan e Bill Heck) e com desfecho surpreendente em um grupo de pioneiros que rumavam para Oregon; e The Mortal Remains, sobre passageiros em uma carruagem que rumam para um misterioso local.

É relevante notar que cada trabalho tem sua própria construção visual, com diferentes técnicas de captação de cena (entre aproximação e open shots, por exemplo). O que une todos é o impecável trabalho de direção de arte e de pós-produção sonora.

De certa forma, The Ballad of Buster Scruggs poderia muito bem ter sido ampliada para um trabalho direto para a televisão. Existem tributos isolados aos clássicos sobre o velho oeste, e a construção final mostra um roteiro elegante e inteligente, talvez afetado pelo posicionamento das histórias, com um ato inicial de enorme relevância e com um ato final muito abaixo do nível anterior.

NOTA: 6/10

IMDb

 

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