Shoplifters (Assunto de Família) – 2018

Shoplifters (Assunto de Família, no Brasil) venceu a Palma de Ouro, em Cannes, e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A produção japonesa dirigida por Hirokazu Koreeda mostra um Japão bem diferente do que estamos acostumados, relatando o cotidiano de uma família pobre e que vive de pequenos furtos.

A relação familiar, por sinal, é tema de antigo interesse do diretor: o estrondoso sucesso de Nobody Knows (Ninguém Pode Saber), em 2004 gerou excelentes discussões e resgatou visibilidade ao cinema japonês, que ainda sofria com a perda de Akira Kurosawa. Shoplifters, neste caso, mostra uma evolução na forma de Koreeda fazer e pensar o cinema, com grande dedicação na estruturação de sua fotografia e no lento desenvolvimento da história, com amplo destaque para cada um dos personagens.

A cena inicial do filme é vital para captar a atenção: Osamu (Lily Franky), e seu filho, Shota (Jyo) furtam itens de um supermercado local. A metodologia desenvolvida pela dupla deixa claro que aquilo é um costume, e que ambos já tem conhecimento de tudo o que devem fazer para não chamar a atenção. Na volta para casa, eles descobrem que a menina Juri (Miyu Sasaki) está sozinha em seu apartamento. Eles ficam com pena e convidam ela para jantar – apresentando-a para o restante da família. Logo eles descobrem a história real de Juri, mas ainda assim decidem ficar com ela, como se fosse uma nova filha.

Este Japão que Koreeda leva ao seu espectador é surpreendente: temos uma visão de um país com grandes avanços tecnológicos e de boa qualidade de vida. Mas nesta família, o que interessa é a refeição de cada dia – um pouco de dinheiro extra, também obtido através de outros golpes – e todos, ainda assim, encontram espaço para sorrir.

Quando digo que o cinema brasileiro precisa entregar para a Academia um filme voltado para o comitê de filme estrangeiro, penso exatamente em um longa como Shoplifters: drama extremamente estruturado, sem precisar apelar para o melodrama, com forte discussão sobre problemas nacionais, sem buscar sustentação em cenas de sexo ou de violência. É isso que o comitê quer; é isso o que o Japão entregou.

A conclusão do filme é muito forte, amarrando bem todas as linhas argumentativas lançadas durante a exibição. Isto faz de Shoplifters um dos grandes filmes de 2018. Exemplo de roteiro, exemplo de direção de ponta.

NOTA: 8/10

IMDb

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