Gräns \ Border

Gräns (distribuído internacionalmente com o título de Border) é aquele tipo de filme que consegue atenção mundial justamente pela nomeação que recebeu no Oscar (neste caso, para melhor maquiagem e cabelo). Apesar de ter conquistado o Un Certain Regard, em Cannes e de ter recebido lançamento limitado nos Estados Unidos, este é o exemplo perfeito de como a indicação ao Oscar leva um longa a outro patamar – com aumento impressionante no número de vendas em home video e interesse das plataformas de streaming em fechar um contrato pontual.

Fiquei pensando: se tivesse que resumir Border, como faria? Para ser honesto, necessariamente teria que citar que o drama sueco contém traços de fantasia, romance, suspense e o típico “toque nórdico” – humor seco e direcionado.

Tina (Eva Melander) é uma pessoa única, no melhor sentido da palavra. Ela trabalha como agente de fiscalização de fronteira e tem um olfato apurado, que lhe permite notar quando alguém porta drogas ou algum outro tipo de material ilegal. Certo dia, Vore (Eero Milonoff) passa pela fiscalização e logo arranca olhares de Tina: os dois partilham cicatrizes e os rostos deformados, motivo de bullying pela sociedade.

A parceria feita aqui entre o diretor iraniano Ali Abbasi com os roteiristas Isabella Eklöf e John Ajvide Lindqvist (do cult sueco Let the Right One In) é muito forte, transmitindo uma naturalidade para uma trama que tem seu apelo nas imagens – especialmente nas trocas de olhares – e no diálogos curtos e tocantes. De certa forma, o filme envolve um assunto tabu (pedofilia) – e acaba virando um teste para o espectador, especialmente por envolver diretamente os protagonistas, seja nas investigações ou nas descobertas.

Como somente recebi o filme dias depois da indicação ao Oscar, fica nítido que este tipo de produção realmente merece um destaque na categoria de maquiagem – e até acho que analisar apenas o trailer pode causar pequenas injustiças. São vários empecilhos criados para colocar a prova a construção facial dos protagonistas (como chuva e cenas em rios). Dito isto, o padrão do longa começa em alto nível com Tina e apenas ganha força com a presença de outro troll, duplicando o desafio técnico.

Acho que não é nenhum exagero dizer que nunca tive uma experiência em um filme como a de Borders. A sensação de estranhamento é continua, e isto impede qualquer tipo de aceite da imposição do eixo íntimo que ocorre a partir da metade final. Mas é como eu sempre falo por aqui: o cinema nórdico, atualmente, parece ser o único capaz de fazer este tipo de experimento com sucesso.

NOTA: 7/10

IMDb

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