Bohemian Rhapsody – 2018

Uma cine-biografia de um ícone da música requer estudo e a tomada de algumas decisões: dar mais espaço para a música ou para dramas e problemas pessoais? No caso de Freddie Mercury, tal questão é ainda mais relevante pelas notórias polêmicas que o astro se envolveu durante sua carreira e pelo enorme número de músicas de sucesso.

A formação do Queen é discutida a partir do evento que reuniu Freddie Mercury (Rami Malek) com Brian May (Gwilym Lee) e Roger Taylor (Ben Hardy). O ponto final determinado pelo roteiro foi o show da Live Aid, em 1985, deixando de lado os últimos seis anos da vida de Mercury – brevemente mencionados antes dos créditos finais.

Tal questão foi o motivo pela saída de Sacha Baron Cohen da produção, já que este insistia em ser fiel a história real de Mercury, exigindo que o roteiro discutisse seus anos finais. A família e os demais integrantes do Queen, no entanto, queriam um filme que não focasse unicamente nos problemas pessoais para não prejudicar o legado de Mercury. A produção de Jim Beach, May e Taylor deixa claro que a história contada é aquela que a banda se sente confortável.

É verdade que a transformação Rami Malek é surpreendente e positiva. Com os vocais impressionantes de Marc Martel, o filme ganha profundidade ao conduzir clássicos como Don’t Stop Me Now, We Are the Champions e Another One Bites the Dust.

A história proposta por Anthony McCarten permite a divisão de Bohemian Rhapsody entre Mercury e Queen. Quando observamos a criação da banda, nota-se alguns pulos curiosos, como se o grupo tivesse saído dos bares para os estádios lotados em pouco tempo. É claro que a razoabilidade do espectador é necessária nestes casos. Na questão de Mercury, o longa parece admitir com muita vergonha os abusos de drogas e a conturbada vida sexual do astro a partir de uma confissão que é utilizada como instrumento para reunir a banda e realizar o Live Aid.

Apesar de Bryan Singer receber o crédito pela direção – muito por conta das regras impostas pela Directors Guild of America, foi Dexter Fletcher o responsável pela rodagem de dois terços do filme após Bryan ser demitido – provavelmente pela péssima relação com o elenco e pelas demasiadas exigências com Malek.

Tenho absoluta certeza que os fãs de Queen manifestarão seu apoio ao filme. Musicalmente falando, é impecável, com uma seleção dos melhores clássicos. Como cine biografia, deixa muito a desejar por querer mascarar alguns fatos que são de conhecimento público. Ainda assim, Malek merece os créditos por conseguir desempenhar tão bem o papel de alguém tão complexo.

NOTA: 7/10

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Bohemian Rhapsody
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