The First Purge (A Primeira Noite de Crime) – 2018

A ideia que deu força para a franquia Purge é interessante. Isso é um fato, comprovado pelos números de bilheteria. O público nunca imaginaria uma situação como essa nos Estados Unidos se não fosse no cinema. A partir do momento em que os produtores dissecam os assuntos que podem ser apreciados, é óbvio que, em determinado momento, uma prequel seria feita. The First Purge (A Primeira Noite de Crime, no Brasil) tinha tudo para explicar de forma metódica uma situação política e econômica que desencadeou em uma nova ordem. Também era a chance para abafar tantos erros cometidos nos dois últimos filmes. É uma pena, no entanto, que o diretor Gerard McMurray e cia tenham optado pelo caminho fácil de heróis contra vilões, desafiando o bom senso em um filme que tentava passar credibilidade à franquia.

A história da ascensão do New Founding Fathers e da popularização do experimento é contada a partir de três pontos de vista, que, obviamente, têm uma ligação e acabam se unindo para esquematizar um final ‘agradável’. Nya (Lex Scott Davis) é totalmente contrária a ideia das doze horas sem lei por acreditar que seria uma forma do governo liquidar a pobreza por meio da violência. Seu irmão mais novo, Isaiah (Joivan Wade), decide entrar no experimento para se vingar de um presidiário local que lhe ameaçou e acaba desestabilizado Nya – que imaginava ficar dentro da Igreja para não ter problemas com os criminosos. Além deles, Dmitri (Y’lan Noel), mafioso local, também queria manter distância do experimento – mas é forçado a entrar nele ao desvendar uma conspiração governamental.

Quando falei do potencial do filme, pensava no caráter político deste. Sim, a primeira meia hora é voltada para uma breve explicação do contexto estadunidense, mas ela não é boa nem relevante o suficiente para engajar o público. O que mais incomoda é que a mensagem do diretor não é clara: o racismo e o preconceito devem ser combatidos apenas pelas armas? A mitologia em torno do Purge também deixa a desejar, já que esta era a única chance de mostrar a evolução do experimento.

A partir do momento que o filme abraça a narrativa clássica dos heróis contra vilões, tudo começa a desmoronar. É engraçado que, durante o lançamento do longa nos EUA, os produtores citaram sucessivamente a ideia de mostrar como a sociedade poderia optar por tal solução em um momento de crise profunda. Mas é o realismo que fica totalmente comprometido pelo abuso do instante decisivo e pela síndrome de super homem hollywoodiana, que transforma um simples homem em uma máquina de morte, sendo este capaz de liquidar com toda estrutura impecável montada pelo governo.

The First Purge já deixa claro o indício de esgotamento da fórmula original. Mesmo uma prequel não conseguiu desfazer uma série de clichês narrativos que parecem já ter envolvido por completo o processo criativo dos produtores e roteiristas. É uma pena, mas sem uma virada por completo e repaginada, a franquia Purge estará condenada ao fracasso a partir de agora.

 

NOTA: 3/10

IMDb

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A Primeira Noite de Crime
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