Sobibor – 2018

Revisitar uma história que foi consagrada com um filme popular é extremamente difícil, pois é óbvio que o público fará um comparativo direto entre o que é apresentado com o longa anterior. No caso de Sobibor, candidato da Rússia ao Oscar de melhor filme estrangeiro, algumas considerações devem ser feitas para entender o objetivo da produção. A fuga de Sobibor é alvo de diversos livros e artigos acadêmicos de qualidade. É justo dizer que Escape from Sobibor, filme para a TV dirigido por Jack Gold e vencedor de dois prêmios Globo de Ouro em 1988, popularizou o feito dos judeus liderados por Alexander Pechersky – e inspirou outros filmes que buscavam o mesmo teor anti-nazista, mas na ficção. A produção do filme russo Sobibor, no entanto, é uma iniciativa federal que contou com grande aporte financeiro do Ministério da Cultura local. O sucesso de bilheteria – inédito para um filme deste gênero na Rússia – é a prova de que todo marketing em torno da história e da mitologia que envolve Sobibor não está esgotada. O diretor Konstantin Khabenskiy erra apenas ao exceder a barreira do melodrama e focar demasiadamente em tópicos secundários ao invés de explorar os protagonistas da mais incrível fuga do período da Segunda Guerra Mundial.

Sobibor é um filme que propõe o mesmo nível de realismo que Son of Saul. As câmaras de gás e os esquadrões de morte da SS são retratados sem a ritualística tradicional fixada no cinema – que usa tais atos como clímax dramático. As fortes cenas de execução, portanto, ditam desde os primeiros minutos o ritmo da produção, O desenrolar do longa ocorre na centralização da figura de Alexander ‘Sasha’ Pechersky (Konstantin Khabenskiy), responsável por organizar a rebelião por conta dos abusos cometidos pelos nazistas. Neste caso, optou-se por fixar Karl Frenzel (Christopher Lambert) como principal perpetuador dos horrores cometidos em Sobibor.

Sobibor é uma aposta conservadora do cinema russo, que tenta obter no Oscar a mesma fatia de votantes que deram o prêmio de melhor filme estrangeiro para o húngaro Son of Saul. Existe uma drástica diferença entre essas duas produções que merece ser discutida aqui: Sobibor, ás vezes de forma desesperada, apela para um drama existencial como se parte dos judeus no campo de extermínio soubessem de todas as atrocidades cometidas pelos nazistas desde o começo Segunda Guerra Mundial, um anacronismo grave, mas que é usado com certa frequência no cinema. No caso específico de Sobibor, infelizmente a construção do filme não privilegia o planejamento da fuga organizada por Pechersky – e sequer faz força para explicar as consequências de tal ato. O grande foco de Khabenskiy e cia é mostrar o espírito diabólico dos nazistas, mesmo que isso comprometa o andamento do filme.

Se algumas das opções narrativas de Sobibor são questionáveis, o mesmo não se pode dizer do bom trabalho de fotografia e do ótimo figurino, que consegue replicar com perfeição os uniformes nazistas. Como é de praxe, é nítido um abuso na maquiagem e nos penteados. Sobibor não é tão metódico quando o longa de Jack Gold, mas tem suas qualidades. Poderia tranquilamente ser utilizado nas salas de aula e tem atuações destacadas.

NOTA: 6/10

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Sobibor
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