Revenge (Vingança) – 2017

Em meio a um mercado extremamente competitivo, uma das alternativas para buscar visibilidade e espaço é apostar em narrativas diversificadas, com apelo forte em elementos técnicos que despertem o interesse do espectador. É isso que torna Revenge (Vingança, no Brasil) uma grata surpresa. O filme dirigido por Coralie Fargeat teve um investimento modesto – tendo em conta o padrão atual da indústria – e conseguiu ótimos resultados tanto na França, mercado doméstico, quanto em sua distribuição internacional.

Jen (Matilda Anna Ingrid Lutz) e Richard (Kevin Janssens) estão aproveitando o fim de semana no meio do deserto. Ela é uma socialite – e ele um milionário francês que deixou sua esposa e seus filhos em casa para ficar com a moça antes de participar deu uma caçada. O ambiente muda completamente quando Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède), amigos de Richard, aparecem antes do previsto – e voltam seus olhos para a moça.

Fargeat trabalha muito bem com a objetificação da mulher com tomadas iniciais que destacam a beleza do corpo da protagonista e como ela parece fazer tudo o que o milionário pede. A vertente da mulher frágil e o machismo – tão tradicionais em filmes de ação – são importantes para consolidar os minutos iniciais da narrativa. A partir deles existe uma virada no roteiro. A diretora troca o tesão e a sexualidade pela violência e vingança, acompanhando Jen em busca de justiça.

Revenge tem uma fotografia espetacular, que chama atenção desde a primeira cena pelo nível de contraste utilizado, ressaltando a solidão e as incertezas do deserto, de forma que isto contribuiu para a construção do ambiente de tensão proposto. Revenge também abusa do sangue e tem uma progressão narrativa bastante peculiar, que certamente pode ser uma carta na manga na filmografia de Fargeat a partir de agora para promover seus filmes. Existe um toque de ficção – justificado em parte pelo peiote – bem-vindo que ajuda a tornar o filme algo mais do que um simples conflito da caça contra o caçador.

NOTA: 7/10

IMDb

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