Tomb Raider – 2018

Adaptações cinematográficas de jogos de video game são extremamente problemáticas. Não faltam motivos nem argumentos. Cito, de maneira geral, que a visão de determinado personagem e/ou franquia é moldada de maneira subjetiva de acordo com a preferência por um determinado game, por exemplo. Ainda que seja notório o problema de levar toda a carga de ação e aventura dos games para o cinema, os filmes geralmente conseguem ótimos números de bilheteria pela fiel base de fãs mundo afora. Achei extremamente arriscada a proposta da Warner e da Square Enix – que detém os direitos da franquia – de levar para as telas uma adaptação direta do premiado jogo homônimo de 2013. Digo isso pois seria óbvio que elementos seriam cortados, brutalmente simplificados e dramatizados.

Acredito que o diretor norueguês Roar Uthaug tenha jogado Tomb Raider e fico com a dúvida sobre seu papel na formulação geral da história, já que a adaptação não leva sua assinatura. Aliás, também encarei com surpresa a decisão de entregar o reboot de uma franquia consagrada no mundo dos games para um diretor inexperiente, e com histórico de apelação para o melodrama (como visto em Bolgen), tudo o que Tomb Raider não precisava.

Sem entregar as “surpresas”, podemos dizer que a história gira em torno da jovem Lara Croft (Alicia Vikander), que busca solucionar o misterioso desaparecimento de seu pai (Dominic West). Aos poucos ela percebe que a reposta pode ser encontrada em uma pequena ilha do Japão.

O mistério em torno da ilha e a questão do pai de Lara são as únicas duas coisas Uthaug acerta em seu filme. Existem inúmeras falhas de continuidade que tornam a experiência geral fraca. Para quem cresceu jogando Tomb Raider, causa espanto a omissão de detalhes sobre a educação de Lara e da forma como é proposta a aproximação dela com o “hobby” de seu pai, que teoricamente deveria ser mais respeitada, detalhada e contextualizada, até para fazer jus ao título do filme.

Entendo que a proposta da Warner foi afastar a ideia de Lara Croft de símbolo sexual, que ficou celebrada graças a Angelina Jolie. Neste sentido, Vikander é apresentada como uma mulher comum – e a boa cena inicial dela perdendo uma luta na academia mostra desde o início que os produtores não desejam aproximação com os resquícios dos demais filmes da franquia. E paramos por aí.

Uthaug abusa do instante decisivo – que gera cenas dignas de gargalhadas – não sabe cadenciar a narrativa e não construiu satisfatoriamente os antagonistas – jogados na tela, sem nenhuma relevância. O mistério proposto, por fim, é solucionado em parte para dar espaço para a continuação da saga.

O que admiro no reboot do Universo Marvel é a forma como a produtora faz questão de fazer do primeiro filme de cada herói um relato completo, na medida do possível, de seu passado e seu contexto, explicando como ganhou poderes, quem são seus amigos e inimigos. Tendo em vista o futuro, tal questão se faz necessária para fixar raízes que são resgatadas nos outros filmes. Em Tomb Raider, existe um desrespeito com os fãs da franquia, e isso não pode passar despercebido. Aliás,  tenho certeza que os próximos filmes terão flashbacks para explicar alguns casos. Cito como exemplo o fato de Lara mostrar domínio em armas, de uma hora pra outra. As tentativas de explicar o passado dela são apressadas e mais voltadas para a relação com o pai do que para a análise de suas habilidades, algo frustrante.

É uma pena que Tomb Raider, no fim das contas, apresente diálogos precários. Tinha convicção de que Vikander poderia ser uma protagonista forte por trás de uma boa história.

NOTA: 4/10

IMDb

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