The 15:17 to Paris (15h17: Trem para Paris) – 2018

Quando a Warner posicionou The 15:17 to Paris (15h17: Trem para Paris, no Brasil) para ser lançado em fevereiro, algo parecia errado. Como um filme de Clint Eastwood, que mantém um forte vínculo com a distribuidora, não seria posicionado para competir ao Oscar? Após os noventa minutos de duração do filme, no entanto, a resposta é óbvia: não é apenas o pior longa da dirigido por Eastwood em sua carreira, como também é um filme desequilibrado, sem ideias novas e que se arrasta para contar uma história relevante por alguns minutos.

Dois anos e meio após o incidente que ocorreu na vida real, Eastwood leva para as telas os homens responsáveis por interromper o que poderia ser uma tragédia histórica. Anthony Sadler, Spencer Stone e Alex Skarlatos interpretam a si mesmos no filme.

Clint Eastwood é uma das personalidades mais premiadas da história do cinema. Além de ser minha grande referência na área (nunca escondi minha admiração), gosto muito de ver como Clint tem suas convicções muito claras. Desde o começo da década de 2000, Eastwood tomou um rumo patriótico em seus filmes, contando histórias que exaltam o americanismo a partir de uma visão conservadora. O ápice disso ocorreu com American Sniper – alvo de inúmeras controvérsias por conta da postura do próprio protagonista.

O fato é que Clint não tem medo de arriscar. Ultimamente, Clint prefere levar as telas histórias que ainda estão frescas na memória da população. Seria impossível analisar The 15:17 to Paris sem traçar um paralelo direto a Sully, ainda mais tendo em vista a proposta geral.

Sim, compreendo que deve ser um trabalho estressante para roteiristas e diretores lidar com o processo criativo de um filme cujo destaque está em um clímax que durou menos de trinta segundos na vida real. Como prender o espectador por uma hora e meia? A decisão tomada por Clint e Dorothy Blyskal, roteirista que adaptou o texto escrito pelos americanos, foi dar uma ampla contextualização da amizade dos três e seguir os passos deles até desembocar justamente naquele trem. Por adaptar seu primeiro roteiro, Blyskal mostra uma imaturidade tremenda ao querer levar ao pé da letra algumas passagens que acabam comprometendo várias cenas. Trago uma delas para discussão. Sadler, por exemplo, adora postar fotos no instagram. Clint aproveita para fazer uma crítica social ao notar esse traço do rapaz, fotografando praticamente tudo, a todo momento, sem aproveitar de fato as coisas. Mas a forma como isso é apresentado ao público é tão desequilibrado que chega a ser cômico ver selfies constantemente deslocados.

Entendo que contextualizar a amizade dos três era uma forma para fazer rolar o tempo. Mas é inacreditável notar que várias passagens desnecessárias e que não são bem explicadas (como o relacionamento de Skarlatos com uma mulher na Alemanha) estão presentes no corte final enquanto o terrorista responsável pelo ataque não tem qualquer linha sobre sua motivação ou mesmo seu contexto.

Clint acertou em cheio ao tornar Sully um filme agradável ao investigar a vida privada do piloto, especialmente a investigação pós-incidente. Demonstrou maestria ao tocar um roteiro cujo clímax também era curto, mas que se estendeu de forma satisfatória durante toda a rodagem. O que temos em The 15:17 to Paris infelizmente é um produto final apressado, que não mantém o padrão Eastwood e que absorve riscos inúteis. Uma decepção!

NOTA: 5/10

IMDb

 

 

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